Moeve : Energia para onde o futuro vai

A transição energética não espera. E a Moeve também não: está a redesenhar o que um posto de abastecimento pode ser e a apostar que o futuro da mobilidade se joga simultaneamente em múltiplas frentes

Executive Digest

Mais de 1800 postos ibéricos a caminho de hubs multienergia, carregamento ultra-rápido nos principais eixos rodoviários, hidrogénio verde para os segmentos onde a bateria ainda não chega e a construção daquela que será a maior fábrica de combustíveis renováveis do sul da Europa. É esta a transformação que Cláudia Soares-Mendes, directora de Marketing e Comunicação da Moeve Portugal, descreve nesta entrevista, onde revela que mais de 60% do investimento está orientado para negócios sustentáveis.

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A mobilidade urbana está a passar de um modelo centrado no combustível para um assente em múltiplas fontes de energia. Como vê a Moeve esta transformação e que papel pretende desempenhar nas cidades do futuro?

Estamos a assistir a uma transformação estrutural da mobilidade. O futuro será necessariamente multienergia, combinando diferentes soluções que se complementam para responder aos desafios da transição energética, contribuindo assim para a descarbonização da mobilidade e para uma melhor qualidade de vida urbana.

Através da estratégia Positive Motion, a Moeve está a acelerar esta transição com o objectivo de liderar a mobilidade sustentável na Península Ibérica. Queremos ser um parceiro activo das cidades do futuro, disponibilizando soluções energéticas mais limpas, acessíveis e integradas, contribuindo para a descarbonização da mobilidade e para uma melhor qualidade de vida urbana.

Um dos nossos principais pilares de actuação está centrado na escuta activa do cliente e, actualmente, aquilo que nos pede é uma mobilidade mais ágil, acessível e a um preço competitivo. O nosso papel é responder a essas necessidades através de uma oferta diversificada, que inclui os combustíveis clássicos, incorporando progressivamente os biocombustíveis e obviamente, a recarga eléctrica para a mobilidade dos veículos ligeiros e gradualmente, a incorporação do hidrogénio verde, em particular para o transporte pesado.

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Responder a esta evolução da procura implica investir de uma forma consistente na mobilidade eléctrica, mas também continuar a fornecer a energia de que os nossos clientes necessitam hoje, através dos combustíveis líquidos e incorporando cada vez mais biomoléculas.

A empresa tem vindo a investir fortemente em infra-estruturas de carregamento eléctrico na Península Ibérica. Quais são os principais desafios para acelerar a adopção do veículo eléctrico em contexto urbano?

O principal desafio continua a ser garantir uma rede de carregamento suficientemente extensa, fiável e conveniente para responder ao crescimento acelerado da procura. Para que a mobilidade eléctrica se torne uma escolha natural para cada vez mais utilizadores, é fundamental assegurar que existe uma infra-estrutura acessível, com cobertura adequada e capaz de proporcionar uma experiência simples e sem constrangimento, pois a maioria dos condutores vive em prédios e depende da rede pública, necessitando de postos perto de casa.

A Moeve responde directamente a estes desafios urbanos através de medidas de simplificação e investimentos estruturais focados na experiência do utilizador. Para quem não tem possibilidade de carregar o carro em casa, estamos a expandir a nossa rede de carregadores rápidos e ultra-rápidos (a partir de 150 kW até 400 kW), permitindo recuperar 80% da bateria entre 10 e 20 minutos enquanto o utilizador faz compras na loja ou toma um café.

Paralelamente, implementámos a tarifa única (por exemplo, a campanha de 0,50€/kWh com todas as taxas e IVA incluídos) através da App ou cartão RFID, eliminando assim a complexidade frequentemente associada ao carregamento e proporcionando uma maior previsibilidade dos custos.

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Complementamos esta oferta com um ecossistema de fidelização, o programa Moeve gow, que permite ao cliente acumular saldo em cada utilização e usá-lo para pagar lavagens, compras em loja ou novos carregamentos, reduzindo o custo real para o cliente.

Em Portugal, a integração da rede Moeve na Mobi.E permite ainda aos utilizadores aceder a mais de 11 mil pontos de carregamento através do cartão RFID e da App Moeve, promovendo uma experiência mais simples e integrada.

Este compromisso com a qualidade e com a experiência de utilização foi recentemente reconhecido pelos consumidores através da atribuição do prémio Consumer Choice na categoria de Carregamento Elétrico Ultrarrápido, uma distinção que reflecte a confiança dos utilizadores na fiabilidade, rapidez e conveniência da rede Moeve.

O desenvolvimento de cidades inteligentes exige uma integração cada vez maior entre mobilidade, energia e dados. Como pode essa convergência melhorar a experiência dos cidadãos?

Essa convergência tem o potencial de transformar significativamente a experiência dos cidadãos. Os dados permitem compreender padrões de deslocação, prever picos de procura, optimizar a localização de infra-estruturas de carregamento e gerir de forma mais eficiente o consumo energético.

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Na Moeve, a tecnologia e os dados desempenham um papel central na criação de uma experiência de mobilidade mais simples e integrada. Através da app Moeve, os utilizadores podem localizar pontos de carregamento, consultar a sua disponibilidade em tempo real, iniciar e acompanhar sessões de carregamento, gerir pagamentos e planear viagens de forma mais eficiente. Esta informação permite reduzir tempos de espera, aumentar a conveniência e melhorar a experiência de utilização da mobilidade eléctrica. Esta aposta numa experiência digital simples, intuitiva e centrada nas necessidades dos utilizadores foi também distinguida pelos consumidores através do prémio Best Tech Experience da Consumer Choice, atribuído à app Moeve.

Ao mesmo tempo, a análise de dados ajuda-nos a identificar necessidades futuras, a optimizar investimentos em infra-estruturas e a garantir uma melhor integração entre mobilidade e energia. O resultado serão cidades e territórios mais eficientes, com menos congestionamento, melhor gestão dos recursos energéticos e serviços cada vez mais adaptados às necessidades das pessoas.

Que importância terão os combustíveis renováveis para sectores onde a electrificação poderá ser mais lenta ou complexa?

Para o sector do transporte pesado, dispomos já de soluções como os biocombustíveis avançados, nomeadamente o HVO (diesel renovável), uma alternativa sustentável para frotas urbanas e também o hidrogénio verde para o transporte pesado.

Acreditamos que a transição energética exige uma abordagem pragmática e tecnologicamente neutra, onde diferentes soluções coexistem e se complementam. Os combustíveis renováveis e o hidrogénio verde serão decisivos para acelerar a descarbonização dos sectores mais difíceis de electrificar e garantir uma transição mais rápida e eficaz para uma economia de baixo carbono.

Esta transição, assente na multidisciplinaridade energética, exige um esforço significativo de investimento e inovação para garantir que disponibilizamos a energia mais adequada a cada segmento de mobilidade. Para responder a este desafio, a Moeve está a construir, no seu Energy Park de Huelva, aquela que será a maior fábrica de combustíveis renováveis do sul da Europa, reforçando a capacidade de produção de moléculas verdes fundamentais para acelerar a descarbonização.

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Em que aplicações acredita que o hidrogénio verde poderá ter maior impacto nas cidades e áreas metropolitanas?

O hidrogénio verde terá um papel particularmente relevante em segmentos de mobilidade intensiva e de elevado consumo energético, como transportes pesados, autocarros urbanos, logística e distribuição de última milha de grande escala.

Nas cidades, um dos maiores impactos poderá sentir-se precisamente nos transportes públicos. As baterias eléctricas enfrentam limitações para os autocarros urbanos, enquanto o hidrogénio verde oferece vantagens significativas, como maior autonomia e tempos de abastecimento reduzidos, semelhante à dos veículos a gasóleo. Ao mesmo tempo, contribuem para melhorar a qualidade do ar e reduzir o ruído urbano, uma vez que o único subproduto resultante da sua utilização é vapor de água.

A médio e longo prazo, a Moeve posiciona-se como um dos maiores produtores de hidrogénio verde do continente europeu. Para isso está a desenvolver o Vale do Hidrogénio Verde da Andaluzia, o maior projecto de hidrogénio renovável da Europa, com uma capacidade de produção de 2 GW.

Este projecto permitirá desenvolver uma futura rede de estações de abastecimento de hidrogénio nos principais corredores rodoviários entre Portugal e Espanha. O objectivo é criar as condições para que os veículos movidos a hidrogénio possam reabastecer em poucos minutos e oferecer níveis de autonomia comparáveis aos dos combustíveis convencionais.

A Moeve tem vindo a transformar os seus postos de abastecimento em espaços multienergia e cada vez mais digitalizados. Como imagina a evolução destes espaços na próxima década?

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A nossa estratégia Positive Motion 2030 está a ser implementada na Península Ibérica e um dos seus pilares fundamentais é a renovação profunda de centenas de postos de abastecimento. A nossa meta é converter os mais de 1800 postos da nossa rede em espaços preparados para responder às novas necessidades de mobilidade e energia, combinando soluções multienergia, complementados por serviços digitais e de conveniência, que tornem a experiência do utilizador mais simples, rápida e personalizada.

Os postos do futuro serão verdadeiros hubs multienergia e de mobilidade verde, assentes no desenvolvimento de corredores de carregamento público ultra-rápido (150 kW a 400 kW) nos principais eixos ibéricos. Ao mesmo tempo, estamos a electrificar as nossas operações, através da instalação de painéis solares instalados nas coberturas, mas também a introduzir a oferta de biocombustível avançado para descarbonizar as frotas profissionais.

A transformação digital é também uma componente central desta estratégia. Através da App Moeve, os clientes têm à sua disposição, numa única plataforma, todas as funcionalidades que necessitam para a sua experiência de mobilidade. Estamos também a introduzir terminais para pagamento directo com cartão bancário nos carregadores eléctricos, eliminando barreiras de utilização e tornando este processo mais acessível.

Adicionalmente, estamos a evoluir os nossos postos para hubs de serviços urbanos, integrando cacifos digitais para recolha de encomendas de e-commerce e a lançar novos conceitos de retalho moderno, como as lojas Moeve Market e as cafetarias R’SPIRO.

O objectivo é criar uma experiência integrada, onde os clientes possam aceder a diferentes soluções de mobilidade de forma simples e intuitiva, enquanto beneficiam de serviços mais eficientes, personalizados e sustentáveis.

Quando olha para 2030, que características deverão definir uma cidade verdadeiramente inteligente e sustentável e qual espera que seja o contributo da Moeve para essa transformação?

Uma cidade verdadeiramente inteligente será aquela que consegue integrar mobilidade sustentável, energia renovável, digitalização e qualidade de vida. Será uma cidade mais eficiente na utilização dos recursos, menos emissora de carbono e mais centrada nas necessidades das pessoas.

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Através da estratégia Positive Motion, a Moeve pretende contribuir activamente para essa transformação. Temos objectivos ambiciosos, incluindo a redução de 55% das emissões até 2030 face a 2019, a canalização de mais de 60% do investimento para negócios sustentáveis, o desenvolvimento de soluções como o carregamento eléctrico ultra-rápido, os combustíveis renováveis e o hidrogénio verde, e a transformação dos nossos espaços em verdadeiros centros de mobilidade sustentável. O nosso compromisso é ajudar a construir cidades mais limpas, conectadas e preparadas para o futuro.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Mobilidade urbana/ smart cities”, publicado na edição de Julho (n.º 244) da Executive Digest.

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