Albert Baehny, presidente executivo da empresa Lonza, que estabeleceu uma parceria com a Moderna, revelou ter identificado «grandes desafios» de produção em massa que a vacina da farmacêutica norte-americana contra a Covid-19 pode enfrentar, quando for efetivamente aprovada, segundo a ‘CNBC’.
O anúncio da Moderna no início desta semana de que a sua vacina teria uma eficácia de 94,5% na prevenção do coronavírus, de acordo com dados de testes preliminares, aumentou ainda mais as esperanças globais de uma resolução para a pandemia que matou mais de 1,3 milhões de pessoas.
A notícia seguiu-se aos avanços igualmente positivos da Pfizer e da BioNTech de que sua vacina candidata era mais de 90% eficaz. A notícia da Moderna foi saudada como um «virar de jogo» e o diretor executivo da Pfizer descreveu os avanços como «um grande dia para a ciência e a humanidade».
À medida que a folia do mercado com as notícias continuava, a atenção rapidamente se voltou para questões práticas devido ao desafio logístico sem precedentes representado pela produção e distribuição de vacinas, caso recebessem a aprovação regulamentar final, para a população global.
Isto porque, as vacinas têm de ser produzidas e transportadas em condições específicas (a baixa temperatura), caso contrário, podem tornar-se ineficazes, o que representa um grande desafio para os fabricantes globais de medicamentos no que diz respeito à distribuição de vacinas.
A farmacêutica suíça Lonza estabeleceu uma parceria com a Moderna e afirma que pretende produzir 400 milhões de doses da vacina anualmente. A empresa norte-americana tem como meta 500 milhões a mil milhões de doses no total em 2021.
O presidente executivo da empresa, Albert Baehny, falou à CNBC sobre os «grandes desafios» enfrentados quando se trata de aumentar a produção. «Só podemos produzir mais de 500 milhões de doses por ano se instalarmos mais linhas de produção, então está claro que precisamos de investimentos adicionais na instalação para uma maior produção no futuro», afirmou esta quarta-feira.
Baehny identificou ainda mais desafios para a produção de vacinas que a empresa teve que enfrentar desde o início da parceria com a Moderna. «Existem alguns problemas, o primeiro é a velocidade. Começámos há apenas 10, 11 meses e agora estamos a produzir os primeiros lotes comerciais do fármaco na América do Norte e a planear o primeiro lote de volume comercial numa ou duas semanas na Suíça, por isso a velocidade tem sido um desafio», refere.
«O segundo desafio é encontrar as pessoas. Para cada linha de produção, são precisos entre 60 a 70 funcionários qualificados. Instalámos quatro linhas de produção, o que significa que é necessário identificar e especializar essas pessoas», disse Baehny.
A temperatura, e a necessidade manter as vacinas frias o suficiente durante o transporte, é outro grande desafio. A vacina da Pfizer requer uma temperatura de armazenamento de -70 graus Celsius. Em comparação, a da Moderna mantém-se estável entre dois a sete graus Celsius (temperatura de um frigorifico), durante até 30 dias. Pode ainda ser armazenada durante seis meses a -15 graus Celsius.
UE em negociações com a Moderna para a compra de 160 milhões de vacinas
A Comissão Europeia aprovou na terça-feira 160 milhões de doses preliminares da vacina Moderna nas suas negociações exploratórias com a empresa, que podem ser concluídas em breve, segundo um porta-voz do comissário de saúde citado pela ‘Euronews’.
«No contexto da finalização das negociações exploratórias, concordamos com160 milhões de doses», disse o porta-voz, Stefan De Keersmaecker, na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia. O acordo consiste em 80 milhões de doses, mais a opção de solicitar outros 80 milhões adicionais. «É claro que continuamos a negociar e veremos como corre», acrescentou.




