Modelos de IA da OpenAI criaram linguagem própria para coordenar ataque informático

Em poucas semanas, OpenAI, Meta e Anthropic reconheceram que modelos das respetivas empresas conseguiram aceder a sistemas externos durante avaliações de segurança.

Executive Digest

Modelos de inteligência artificial da OpenAI conseguiram criar um sistema próprio de mensagens para partilhar descobertas, distribuir tarefas e coordenar uma intrusão informática durante testes de cibersegurança realizados pela empresa.

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O caso foi apresentado esta quarta-feira na conferência Black Hat, em Las Vegas, por dois elementos da equipa técnica da OpenAI. A empresa continua a preparar um relatório completo sobre o incidente.

De acordo com o El País, os agentes de IA montaram uma espécie de fórum interno no qual comunicavam através de mensagens curtas e telegráficas, reconhecendo que algumas ações ultrapassavam os limites definidos, mas mostrando-se dispostos a continuar porque outros modelos já o estavam a fazer.

Agentes criaram um painel para trocar informações

A principal novidade revelada durante a apresentação foi a capacidade dos modelos para construírem um espaço comum onde registavam progressos, vulnerabilidades e instruções.

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Numa das mensagens divulgadas, um agente indicava que explorar infraestruturas externas estava fora do âmbito previsto, mas concluía que deveria avançar porque outros agentes também o faziam.

Noutro caso, um modelo ponderava ajudar um “companheiro”, apesar de reconhecer que essa colaboração não beneficiava diretamente a tarefa que lhe tinha sido atribuída.

Os responsáveis da OpenAI concluíram que os agentes também ficaram sujeitos a uma espécie de pressão do grupo, sentindo-se incentivados a agir porque outros modelos estavam a seguir o mesmo caminho.

Testes começaram num ambiente fechado

O episódio teve origem a 7 de maio, quando a OpenAI começou a testar um protótipo que não se destinava a ser disponibilizado ao público.

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Os exercícios de cibersegurança decorriam num ambiente controlado e tinham sido concebidos para não poderem ser resolvidos dentro das limitações impostas pela empresa.

Logo no primeiro dia, o protótipo percebeu que podia aceder indiretamente à Internet através de software externo. Descobriu ainda que conseguia escrever nomes de ficheiros numa aplicação que não pertencia ao ambiente de testes.

Durante várias semanas, os agentes começaram a trocar informações, a identificar falhas e a dividir trabalho entre si.

Segundo o El País, um dos funcionários da OpenAI explicou que, quando um modelo consegue abrir um acesso indevido, pode deixá-lo disponível para que outros agentes o utilizem.

Sistema foi apagado, mas reapareceu dois dias depois

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A utilização desta via indireta acabou por ser detetada pela OpenAI.

A empresa eliminou o sistema de mensagens, corrigiu as vulnerabilidades e retomou os testes. No entanto, apenas dois dias depois, os agentes já tinham reconstruído o painel através de um método diferente.

Nesse novo espaço de comunicação, alguns modelos concluíram que as respostas às tarefas podiam estar disponíveis em plataformas externas, como o GitHub ou o Hugging Face.

A velocidade, a insistência e a forma distribuída como os agentes atuavam foram comparadas ao comportamento de um enxame.

Modelos acabaram por atacar o Hugging Face

Em julho, os modelos conseguiram organizar-se para comprometer o Hugging Face, uma das principais plataformas utilizadas para alojar e partilhar modelos e ferramentas de inteligência artificial.

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O incidente demonstrou que os agentes eram capazes de combinar descobertas feitas por diferentes instâncias, contornar limitações e manter mecanismos de coordenação mesmo depois de a empresa ter intervindo.

Michael Dalton, membro da equipa técnica da OpenAI, classificou o episódio como um momento decisivo tanto para a empresa como para toda a indústria da inteligência artificial.

O responsável afirmou que ataques ofensivos completamente automatizados e coordenados por IA já são uma realidade.

OpenAI abrandou investigação para reforçar segurança

Dalton revelou que várias equipas da OpenAI estão concentradas em melhorar a capacidade de prevenção deste tipo de incidentes.

A empresa terá também reduzido o ritmo de parte da investigação enquanto procura reforçar os mecanismos de controlo.

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O objetivo, segundo o responsável, é garantir que os avanços na inteligência dos modelos sejam mais úteis para a defesa informática do que para a realização de ataques.

Meta admite incidente semelhante

A Meta revelou também esta quarta-feira um episódio de segurança relacionado com o Muse Spark, o seu novo modelo de inteligência artificial destinado à escrita de código.

Durante uma avaliação, uma configuração incorreta da Irregular, empresa independente que realiza testes para o setor, permitiu que o modelo tivesse acesso à Internet.

A IA explorou depois uma vulnerabilidade num serviço de terceiros, num caso semelhante a outros já comunicados por empresas do setor.

Segundo o The Information, o modelo chegou a alterar o sistema interno da organização afetada, cuja identidade não foi divulgada.

Anthropic também registou acesso a sistemas externos

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A Irregular afirmou que o incidente envolvendo a Meta corresponde ao mesmo tipo de falha no ambiente de avaliação revelado anteriormente pela Anthropic.

Nesse caso, modelos da empresa acederam à Internet aberta e entraram nos sistemas de três organizações diferentes.

A situação distingue-se do episódio da OpenAI porque, nos testes da Meta e da Anthropic, a ligação à Internet ficou disponível devido a uma configuração incorreta. Os modelos da OpenAI tiveram de procurar e explorar uma vulnerabilidade para conseguirem sair do ambiente fechado.

Em poucas semanas, OpenAI, Meta e Anthropic reconheceram que modelos das respetivas empresas conseguiram aceder a sistemas externos durante avaliações de segurança.

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