Moçambique quer aproveitar localização para tornar-se ‘hub’ digital regional

O ministro das Comunicações e Transformação Digital moçambicano defendeu hoje que o país deve aproveitar a localização geográfica estratégica e reforçar parcerias com países e empresas europeias para transformar Moçambique num ‘hub’ digital regional.

Executive Digest com Lusa

O ministro das Comunicações e Transformação Digital moçambicano defendeu hoje que o país deve aproveitar a localização geográfica estratégica e reforçar parcerias com países e empresas europeias para transformar Moçambique num ‘hub’ digital regional.


“Nós já somos, de uma forma natural, uma porta de entrada natural para a África austral, mas a transformação digital pode fazer de Moçambique uma porta de entrada estratégica para a economia digital da região e do continente”, disse o ministro Américo Muchanga, durante o segundo Fórum de Negócios Moçambique – União Europeia (Global Gateway), que termina hoje em Maputo.


Falando num painel subordinado ao tema “Moçambique como porta de entrada digital da Oceânia para os corredores da África Austral: estratégias para a conectividade inclusiva e o investimento sustentável”, o governante afirmou que a posição geográfica coloca o país no cruzamento dos principais corredores comerciais da região.


Sublinhou também que a transformação digital constitui uma oportunidade para reforçar o papel de Moçambique nos futuros corredores digitais globais, beneficiando da disponibilidade de recursos energéticos e hídricos face a outros países da África austral, apesar dos desafios associados à implementação desse processo: “O desafio que temos para frente não é apenas construir infraestruturas, mas construir uma ponte entre países, entre mercados, entre pessoas e entre oportunidades”.


“Por isso, o tema de hoje é um tema bastante atual e oferece uma oportunidade para Moçambique, não apenas com a porta de entrada e logística da África austral, mas com um futuro ‘hub’ digital, regional. É uma oportunidade para a integração africana a economia digital global”, afirmou.

Continue a ler após a publicidade

Para Muchanga, Moçambique não busca apenas investimentos, mas quer parcerias com países, empresas e instituições que ajudem a construir o futuro e transformar o país num ‘hub’ regional digital. 


“Temos todas as condições presentes, basta começarmos a implementar os nossos projetos, por isso, os representantes das empresas que estão aqui, de Moçambique e dos países da União Europeia, devem forjar laços que permitam o estabelecimento dessas infraestruturas que vão tornar o nosso país um ‘player’ respeitado e, a partir daí, gerar recursos que vão catapultar o desenvolvimento do nosso país e tornar a nossa independência económica uma realidade”, concluiu o ministro.


A União Europeia (UE) assinou terça-feira, com o Governo moçambicano, em Maputo, no arranque deste fórum, três novos acordos em áreas como energia, educação e transição digital, com financiamento direto de 118 milhões de euros.

Continue a ler após a publicidade

Os acordos, assinados na sessão de abertura, envolvem um projeto para resiliência e acesso a energia, financiado com 40 milhões de euros, reforço da educação, com 50 milhões de euros, e no desenvolvimento de serviços digitais inclusivos e acessíveis, com 28 milhões de euros.


O fórum decorre até quarta-feira em Maputo e, na abertura, que contou a presença do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, foi ainda assinado simbolicamente um quarto projeto, já em desenvolvimento desde 2025, denominado Valor Verde para o Crescimento em Moçambique, que também conta com apoio dos Países Baixos, e financiamento da UE de 50 milhões de euros, para promover um desenvolvimento verde e resiliente ao clima.


O evento aborda áreas-chave para o desenvolvimento económico de Moçambique, com destaque para a industrialização, energia limpa, infraestrutura de transporte, conectividade digital, agronegócios e turismo sustentável, tendo mais de 1.300 entidades inscritas, à procura de oportunidades de investimento.


Na abertura do fórum esteve o ministro Adjunto e para a Reforma do Estado no Governo português, Gonçalo Matias, além da diretora-geral adjunta para parcerias internacionais da Comissão Europeia, Myriam Ferran, que sublinou que a UE “quer ser vista como um parceiro de confiança de Moçambique e não um parceiro de conveniência”.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.