O Governo moçambicano admite que a economia cresceu 0,52% até março, o segundo trimestre consecutivo de recuperação económica após a recessão provocada pela crise que se seguiu às eleições gerais de outubro de 2024.
Nos documentos da execução orçamental do primeiro trimestre, o Governo refere que “em linha com a desaceleração do crescimento económico global, o abrandamento do comércio internacional e a persistência de condições financeiras restritivas”, a economia nacional “apresentou sinais de recuperação gradual, embora ainda num contexto de elevada vulnerabilidade”.
Recorda que após a contração de 1,89% observada até ao terceiro trimestre de 2025, a economia moçambicana “evidenciou uma melhoria”, tendo a variação acumulada do Produto Interno Bruto (PIB) fechado em -0,52% no final do ano.
“Apesar deste cenário, e de acordo com o FMI, a economia nacional evidenciou sinais de recuperação previsional de crescimento do PIB de 0,52% para o primeiro trimestre de 2026”, lê-se no documento do Governo.
“Este desempenho reflete uma dualidade macroeconómica: por um lado, verifica-se uma melhoria relativa das condições externas, traduzida na moderação da inflação e no reforço da posição externa; por outro, persistem fragilidades na atividade produtiva interna, condicionadas por choques climáticos, constrangimentos logísticos e limitações estruturais da economia”, refere ainda.
O documento acrescenta que, a nível interno, a atividade económica “foi particularmente afetada por eventos climáticos extremos que comprometeram a produção agrícola, degradaram infraestruturas e agravaram os custos de transporte e distribuição, com impactos diferenciados” entre várias regiões do país.
Este cenário, aponta o Governo, “traduz uma recuperação económica ainda frágil, dependente tanto da evolução do contexto externo como da eficácia das políticas internas de estabilização e estímulo à produção”.
Na semana passada, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, recordou a previsão de 2,8% de crescimento económico esperado para este ano, mas que “poderá ser revisto em baixa, em virtude das cheias de janeiro de 2026 e da guerra no Médio Oriente”.
“Para o período 2026–2028, projeta-se uma recuperação gradual da atividade económica, com um crescimento médio estimado em torno de 3,9%, impulsionado pela retoma do investimento, pela implementação de reformas estruturais, pela estabilização macroeconómica e pelo desenvolvimento de setores estratégicos”, disse ainda o governante.
A Lusa noticiou em fevereiro que a economia moçambicana recuperou no último trimestre de 2025, invertendo quatro trimestres consecutivos de quebras, ao crescer 4,67%, mas fechou o ano com uma queda homóloga de 0,52%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).
No mais recente relatório das Contas Nacionais Trimestrais, o INE refere que o Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIBpm) apresentou uma variação positiva de 4,67% no quarto trimestre de 2025, face ao mesmo período de 2024, acrescentando assim que “ao longo do ano registou-se melhoria económica, perfazendo um acumulado de -0,52%”.
A economia moçambicana inverteu, ainda assim, um ano de quebras, desde os violentos protestos que se seguiram às eleições gerais de 09 de outubro de 2024, que provocaram em mais de cinco meses 400 mortos e destruição de empresas e infraestruturas públicas
No terceiro trimestre de 2025, segundo o INE, o PIBpm recuou 0,85%, quando comparado ao mesmo período do ano 2024. Foram ainda registadas quedas no primeiro e segundo trimestres de 2025, respetivamente 3,92% e 0,94%, bem como no quarto trimestre de 2024, de 5,68%.
O último período anterior de crescimento económico registou-se antes das eleições, marcadas pela forte contestação social que se seguiu, no terceiro trimestre de 2024, de 5,58%.
Para 2025, o Governo previa um crescimento económico de 2,9%, já revisto em baixa, após 1,9% em 2024.












