MNE russo alerta que o “relógio do Juízo Final” da guerra nuclear está quase na ‘hora H’ e elogia “bom senso” de Trump

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, voltou a lançar um alerta inquietante sobre o risco de uma guerra nuclear global, afirmando que o mundo vive uma situação em que “a conversa sobre uma Terceira Guerra Mundial se tornou banal”.

Pedro Gonçalves
Junho 25, 2025
19:09

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, voltou a lançar um alerta inquietante sobre o risco de uma guerra nuclear global, afirmando que o mundo vive uma situação em que “a conversa sobre uma Terceira Guerra Mundial se tornou banal”. Num discurso proferido esta quarta-feira, em Asgabate, capital do Turquemenistão, Lavrov reforçou que a “segurança global” está “mais ameaçada do que nunca” e que o “relógio do Juízo Final” continua a avançar perigosamente para a meia-noite.

Segundo a agência estatal russa TASS, Lavrov declarou que “é essencial evitar este cenário e estamos empenhados em impedir uma catástrofe”. O ministro russo aproveitou ainda a ocasião para criticar duramente a anterior administração norte-americana de Joe Biden, acusando-a de ter seguido uma “agenda hegemónica neoliberal”, e, em contraste, elogiou a política externa de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, considerando-a mais “realista” e “baseada no bom senso”.

“Há tendências positivas, entre elas o foco no realismo e no bom senso por parte da administração Trump, que conduz a sua política externa com base nos interesses nacionais — tanto dos EUA como de outros Estados soberanos”, sublinhou Lavrov.

Tensão global cresce com fragilidade do cessar-fogo no Médio Oriente
As declarações do chefe da diplomacia russa surgem num momento de forte instabilidade internacional, agravado por múltiplos focos de conflito. Para além da guerra na Ucrânia, onde, segundo o Estado-Maior General de Kiev, a Rússia já terá sofrido mais de um milhão de baixas desde a invasão iniciada em fevereiro de 2022, a situação no Médio Oriente mantém-se volátil. O cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o Irão continua frágil, e o presidente Trump admitiu esta semana que há possibilidade de o conflito recomeçar.

Lavrov fez também duras críticas à liderança europeia, acusando os líderes da União Europeia de alimentarem posturas beligerantes. “É especialmente alarmante o ressurgimento de atitudes agressivas em toda a Europa. Como se duas guerras mundiais — e inúmeros conflitos menores ao longo dos séculos — não tivessem sido suficientes”, afirmou o ministro russo.

Especialistas alertam para ambições russas para além da Ucrânia
Enquanto Moscovo afirma estar a trabalhar para evitar um confronto global, análises independentes alertam para o contrário. Um relatório divulgado esta quarta-feira pelo KSE Institute, um think tank com sede em Kiev, indica que a Rússia está a desenvolver capacidades militares que vão além da guerra na Ucrânia, nomeadamente no domínio naval com foco na região do Ártico.

“A Rússia está a preparar capacidades que claramente não se relacionam com o conflito na Ucrânia, incluindo forças navais para uma eventual confrontação no Ártico”, afirmou à Newsweek Pavlo Shkurenko, coautor do relatório e especialista em sanções internacionais.

Shkurenko acrescentou que, apesar das dificuldades económicas, Moscovo tem investido massivamente na sua indústria militar, criando um ambiente propício para ameaçar a Europa e outras regiões. A análise aponta ainda que o enfraquecimento do apoio dos Estados Unidos à Ucrânia obrigará os países europeus a reforçar a sua cooperação e financiamento conjunto para enfrentar o desafio russo.

Trump promete “resolver” conflito ucraniano
Durante a cimeira da NATO, que decorre em Haia, Donald Trump voltou a abordar a guerra na Ucrânia, ainda que de forma breve. “Esperamos conseguir resolver isso”, afirmou o presidente norte-americano, sem detalhar os meios ou estratégias em cima da mesa.

Este novo alerta de Lavrov ocorre num contexto de crescente preocupação internacional com o potencial de escalada militar global. Apesar das mensagens ambíguas de Moscovo — entre apelos à contenção e elogios a figuras políticas específicas — as movimentações no terreno continuam a indicar que a ameaça de um conflito alargado está longe de estar ultrapassada.

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