O discurso de Putin voltou a lançar o medo e reacendeu a escalada de violência no conflito, causando preocupação em todo o mundo. Ao admitir “usar todos os meios e sistemas de armamento disponíveis” para “proteger a integridade territorial da Rússia”, foi aberta a possibilidade de uma guerra nuclear iminente. Mas, após as ameaças, ainda não se verificaram os exercícios nucleares, habitualmente levados a cabo como ‘testes’.
Normalmente, Moscovo realiza nesta altura do ano vário exercícios nucleares em larga escala, chamados ‘Grom’ e, nas últimas semanas, tem emitido alguns alertas para vários espaços aéreos nos locais onde decorrem os testes nucleares planeados. No entanto, até ao momento não se realizaram os testes, quebrando o ‘protocolo’ da agenda militar russa.
Os EUA também garantem não ter recebido qualquer comunicação ou alerta de Moscovo para os habituais ‘testes’, nem qualquer explicação oficial por não terem ainda acontecido, como previsto. Os alertas emitidos pela Rússia, para vários espaços aéreos, expiram no sábado, pelo que qualquer eventual exercício nuclear teria de ser concluído até esse dia.
O mistério adensa-se sobre o motivo para a ameaça nuclear de Putin ainda não ter avançado, mas alguns especialistas apontam como causa “sabotagem” interna aos testes nucleares, seja por medo de Putin usar armas nucleares na guerra com a Ucrânia, seja pelo facto destas armas simplesmente não funcionarem.
Valery Solovey, estudioso de Putin e antigo professor universitário no Instituto de Relações Internacionais de Moscovo, garante que dois exercícios nucleares já deveriam ter acontecido. Uma ogiva deveria ter sido detonada no Mar de Barents e uma segunda num local de testes subterrâneo, junto a Arkhangelsk, junto ao Mar Branco, adianta o especialista.
“Em ambos os casos, os exercícios não ocorreram. O presidente justificou com relatos de que havia situações de emergência, que qualquer coisa correu mal. Uma vez é acidental, duas vezes é coincidência. Mas, se pela terceira vez os testes correm da mesma forma, com nada a acontecer, vai parecer sabotagem, não cumprir as ordens do comandante…”, adianta Solovey.
No início do mês, a Itália avisou a NATO de que o submarino russo Belgorod tinha abandoando a base no Mar Branco. A nota especulava que o Belgorod poderia estar a dirigir-se para o Mar de Kara para testar o torpedo nuclear ‘Poseidon’, único no mundo, que a Rússia afirma ser capaz de causar uma explosão que origina tsunamis radioativos, desenhados para arrasar orlas costeiras ou até países inteiros.












