O ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, reúne-se esta sexta-feira, em Helsínquia, com o seu homólogo finlandês, Pekka Haavisto, para debater a adesão da Finlândia à NATO.
O anúncio do encontro foi feito ontem pelo Governo português e acontece um dia depois de o Presidente e a primeira-ministra da Finlândia terem dito que são favoráveis à adesão do país à Aliança Atlântica.
O pedido de entrada na NATO deverá ser anunciado oficialmente no próximo domingo em Helsínquia, sendo depois confirmado pela Comissão Ministerial de Política Externa e de Segurança TP-Utva, formada pelo Presidente da República e ministros-chave.
De seguida, a decisão é submetida ao Parlamento e depois o Conselho da NATO reunir-se-á imediatamente. Os 30 embaixadores dos países da aliança tomarão uma decisão sobre convidar a Finlândia para as negociações de adesão.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já disse que não vê com preocupação a adesão da Finlândia e outros países europeus à NATO, pelo contrário: É “motivo de reforço da solidariedade europeia”.
Também o secretário-geral da NATO, o norueguês Jens Stoltenberg, saudou a vontade demonstrada pela Finlândia em integrar a Aliança Atlântica, garantindo um processo de adesão “tranquilo” e rápido.
“Trata-se de uma decisão soberana da Finlândia (…) Se a Finlândia decidir candidatar-se vai ser calorosamente acolhida no seio da NATO sendo que o processo de adesão vai decorrer de forma tranquila e rápida”, declarou Stoltenberg.
Mas a Finlândia não é a única a preparar uma adesão à NATO. Também os sociais-democratas da Suécia, atualmente no poder, vão decidir este domingo, se apoiam a candidatura do país à NATO, sendo depois o processo semelhante.
Depois de o presidente e a primeira-ministra da Finlândia terem dado o seu apoio à adesão da nação nórdica à NATO, o governo sueco reagiu e disse que vai “ter em conta” a posição de Helsínquia na tomada de decisão relativamente à adesão à Aliança Atlântica.
“A Finlândia é o parceiro de segurança e defesa mais próximo da Suécia e precisamos de ter em conta as avaliações da Finlândia”, escreveu no Twitter Ann Linde, a ministra dos Negócios Estrangeiros sueca.
A invasão russa da Ucrânia destruiu a crença de longa data de que ficar fora da aliança permitiria que estas duas nações nórdicas evitassem problemas com o seu vizinho russo.
Em dois meses as sondagens deram uma reviravolta e agora o voto do “sim” vence por maioria esmagadora. “Acho que o que estamos a ver é um maior interesse dos suecos e finlandeses para se juntarem à Aliança”, refere Bruce Jentleson, professor de políticas públicas da Duke University, ao ‘La Vanguardia’.
“A reação inicial é ver apenas os benefícios, a proteção que a NATO oferece. Mas entrar obrigá-los-ia a participar em desdobramentos que talvez daqui a dois ou três anos não vão querer fazer”, ressalva.
Perante a cólera previsível de Moscovo, Helsínquia e Estocolmo procuraram nas últimas semanas um compromisso dos aliados que lhes garanta segurança durante o período de candidatura, altura em que estariam mais vulneráveis porque ainda não estão sob a proteção do artigo 5.º da NATO.
No mês passado, o ex-presidente russo Dmitry Medvedev, agora vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, alertou que uma mudança de rumo em ambos os países obrigaria Moscovo a fortalecer a sua presença militar no Báltico.
Ontem, disse que um conflito direto com a NATO pode desencadear uma guerra nuclear. No entanto, a ação militar parece improvável, num momento em que as forças russas mal avançam na Ucrânia.













