O Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, defendeu esta sexta-feira, em entrevista à SIC, que irão existir estratégias de «recuperação» para o próximo ano lectivo. O que o governante não admite são, no entanto, passagens administrativas como em Itália e Espanha, onde está previsto que todos os alunos passem de ano.
Para o governante, Portugal escolheu o processo «menos facilista», ao contrário de outros países da União Europeia, ao empenhar esforços no terceiro período e a desenhar uma estratégia de recuperação para o próximo ano.
A telescola arranca já na próxima segunda-feira, 20 de Abril, uma semana depois do início do terceiro período à distância. As emissões diárias serão transmitidas na RTP Memória, acessível por cabo ou satélite e por Televisão Digital Terrestre. Haverá actividades lectivas todos os dias úteis da semana, das nove horas da manhã até às 18 horas. Cada aula tem a duração de 30 minutos e vão ser dadas a alunos de dois anos em conjunto (1.º e 2.º), (3.º e 4.º), (5.º e.6.º), (7.º e 8.º) e 9.º ano.
A emissão de cada dia dos módulos individualizados vai estar disponível online e vai ser ainda disponibilizada uma aplicação móvel com todos os conteúdos.
Tiago Brandão Rodrigues diz, no entanto, que esta é apenas uma parte do que está em cima da mesa: além das aulas que podem ser «síncronas ou assíncronas» e que envolveram «mais de uma centena de professores» para os 650 blocos de aulas para o 3.º período e o trabalho dos professores com as turmas através das videochamadas ou outros recursos, o governante fala em «estratégias de recuperação para o próximo ano» lectivo.
«O que está a ser equacionado e trabalhado é que no próximo ano lectivo vamos ter um conjunto de estratégias de recuperação, quer seja para os alunos de décimo ano, mas também para os de décimo primeiro que tem disciplinas trienais. E todos os alunos do ensino básico. A recuperação é um dos pilares mais importantes desta estratégia», explicou.
Em entrevista à rádio “Observador”, na passada segunda-feira, o primeiro-ministro explicou que procurou introduzir-se «uma nova ferramenta, que é um apoio através da televisão, acessível a todos, para mitigar a dificuldade de acesso ao equipamento. Isso levou-nos a assegurar a universalidade do acesso às ferramentas digitais dos alunos do básico e ensino secundário».
António Costa disse, no entanto, que não se pode chamar de telescola, uma vez que, no passado, esse sistema era semi-presencial. Quanto ao reforço da cobertura da Televisão Digital Terrestre, admitiu que estava previsto, mas que foi antecipado. «Estamos a trabalhar com as operadoras e as indústrias», adiantou.
O chefe do Governo afirmou que, «por uma questão de igualdade» é «importante que o esforço dos professores se mantenha». «Valorizamos muito os processos de avaliação da escola e do professor porque é quem conhece melhor o aluno, e consegue ter em conta as condições mais adversas em que estão a a trabalhar. São eles que estão em melhores condições possíveis», realçou.
«No próximo ano lectivo temos de estar preparados para responder a uma questão como esta, mas sem termos de improvisar, como agora. Sabemos que o vírus não acaba antes do início do próximo ano lectivo e com grande probabilidade não teremos vacina antes do final do próximo ano lectivo, por isso teremos de conviver mais um Outono, Primavera e Verão com este vírus», lembrou António Costa. «Há equipamentos de protecção individual. Não podemos estar um ano inteiro confinados em casa. Mas também temos estes equipamentos digitais, porque pode haver picos. Nessas situações temos de ter uma rede de segurança para continuar a funcionar. Além de que, em todo o caso, este é um investimento que faz sentido», sublinhou ainda.
As escolas estão encerradas desde 16 de Março, quando o Governo decidiu suspender todas as actividades lectivas presenciais, e os alunos trocaram a sala de aula por um espaço na sua casa e passaram a ter aulas online e a receber os trabalhos por e-mail ou pelo correio.
A nível global, a pandemia de Covid-19 já causou mais de 145 mil mortos e infectou mais de 2,1 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 465 mil doentes foram considerados curados.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
Portugal regista, neste momento, 629 óbitos por Covid-19, mais 30 do que ontem, e 18.841 pessoas infectadas (+750). Os dados constam do último boletim epidemiológico divulgado esta quinta-feira pela Direção-Geral da Saúde.
*Notícia actualizada às 11:27 com novo título














