O ministro da Economia, Pedro Reis, acredita que a Aliança Democrática (AD) pode sair reforçada das eleições legislativas antecipadas, que deverão ser marcadas para maio. Em entrevista à Renascença e ao Público, Reis argumenta que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, beneficia da perceção de que a atual crise política “era desnecessária” e critica o PS e o Chega por terem precipitado o país para um impasse.
O governante defende que Montenegro prestou todos os esclarecimentos sobre o caso da empresa Spinumviva, rejeitando qualquer ilegalidade. Para Reis, trata-se apenas de um caso político e não jurídico, e a dissolução do Parlamento surge num contexto inoportuno para a economia. “Não podia vir em pior altura”, afirma. Ainda assim, diz que o executivo preferiu avançar com uma moção de confiança em vez de continuar num cenário de “terrorismo político que atinge a credibilidade das instituições”. A moção deverá ser discutida no Parlamento na próxima terça ou quarta-feira.
Pedro Reis desafia o PS a não utilizar a campanha eleitoral como pretexto para evitar a comissão de inquérito parlamentar ao caso Spinumviva. “Era o que faltava que se substituísse uma comissão de inquérito por uma campanha”, critica. O ministro considera que o primeiro-ministro colocou “toda a informação em campo aberto” e utilizou a moção de confiança como um “último recurso” para evitar que o país ficasse num clima de instabilidade política. “A evidência histórica mostra que os portugueses não gostam de interrupções forçadas e gostam que se deixe tempo para trabalhar”, acrescenta.
Questionado sobre a possibilidade de Luís Montenegro ser candidato às eleições, Pedro Reis não tem dúvidas: “O primeiro-ministro tem a força da governação que fez e da perceção de que isto era desnecessário.” O governante rejeita que tenha ficado alguma questão por esclarecer no caso da Spinumviva e minimiza as críticas de figuras do PSD que consideram que Montenegro deveria ter encerrado a empresa mais cedo. “Entramos no espaço das opiniões e das sensibilidades”, afirma, frisando que “não há qualquer elemento que aponte para a ilegalidade”.
Sobre as eleições antecipadas, Pedro Reis acredita que o PSD poderá reforçar a sua votação. “As pessoas estão contentes com o trabalho que está a ser feito, com as reformas em curso ou anunciadas”, diz. No entanto, evita falar em maioria absoluta, limitando-se a afirmar que considera realista um crescimento eleitoral. “Se muita gente pensar assim, quer dizer que, pelo menos, o reforço da votação é algo de realista e não de utópico”, acrescenta.
O ministro da Economia desvaloriza a possibilidade de uma campanha eleitoral marcada por ataques políticos agressivos, mas espera que o debate se concentre nos projetos para o país. “Espero que comparemos projetos, obras feitas, resultados e equipas, e que não andemos à volta destes casos que, tanto quanto vejo, estão todos divulgados”, refere. Quanto ao futuro, reitera que Montenegro continuará a governar com base na transparência e nas reformas estruturais. “O PSD vai apresentar-se às eleições de cabeça erguida”, conclui.






