O ministro da Administração Interna, em entrevista à “Renascença”, nesta segunda-feira, garantiu que a operacionalidade das forças de segurança não está em causa. Eduardo Cabrita revelou que foi destacado um efectivo de 35 mil agentes para a operação de segurança da Páscoa.
Num total de 45 mil agentes, «vamos ter na rua 35 mil efectivos», nestes dias, «entre PSP, GNR e SEF». «Vão funcionar em regras de espelho, com alteração do sistema de turnos, de modo a tentar garantir o mínimo de contacto e o máximo de operacionalidade», adiantou Cabrita, convidado do programa “As Três da Manhã”.
O decreto de renovação do Estado de Emergência prevê um período em que a circulação em Portugal vai estar limitada, entre as meia-noite da quinta-feira Santa, a 9 de Abril, e a meia-noite de segunda-feira, dia 13, de forma a condicionar ao máximo deslocações durante o período pascal. O objectivo é evitar a propagação da Covid-19.
O Governo prevê excepções para idas ao hospital, menores com residência alternada, assistência à famílias e actividades profissionais – apesar de o Governo incentivar o teletrabalho, há sectores de actividade em que isso não é possível. Contudo, todas as pessoas nesta última situação devem fazer-se acompanhar da declaração. Se houver uma fiscalização por parte das forças de segurança, o agente pode pedir-lhe o documento do empregador para compará-lo com os dados da área de residência que consta do chip do cartão do cidadão e dos registos da carta de condução.
Na “Renascença”, o governante aproveitou para deixar uma «palavra de respeito e dedicação às mulheres e homens que estão na linha da frente para o respeito da regras», destacando o exemplo dos agentes que, em Ovar, optaram, desde que foi instalada a cerca sanitária, «pelo isolamento no concelho, trabalhando para a segurança do município».
Número de agentes infectados não coloca em causa operacionalidade
Eduardo Cabrita assegurou que o número de casos positivos de Covid-19 identificados em agentes da PSP não coloca em causa a operacionalidade das forças de segurança. «Há 100 agentes infectados, entre efectivos da PSP e da GNR. Temos um sistema de prioridade em testes que permite rapidamente despistar os contactos desses agentes. Tal determinava a colocação em inoperacionalidade de 630 militares e agentes», disse.
Ainda assim, este número «não está a criar dificuldades operacionais». «Temos cerca de 45 mil efectivos e tem havido entreajuda entre as forças. Quando é necessário, GNR e PSP ajudam-se mutuamente», sublinhou.
108 detenções pelo crime de desobediência
Na passada sexta-feira, o ministro da Administração Interna revelou, em conferência de imprensa, que houve 108 detenções pelo crime de desobediência, na primeira fase do Estado de Emergência, ou seja, de 19 de Março a 2 de Abril.
Destes, 29 foram violações das obrigações de isolamento. «Estas são particularmente graves», vincou Eduardo Cabrita. Houve ainda 10 tentativas de violação da cerca sanitária de Ovar e violações das obrigações de encerramento de estabelecimentos comerciais.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infectou mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 65 mil. Dos casos de infecção, mais de 260 mil são considerados curados.
Em Portugal, segundo o balanço feito domingo pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 295 mortes, mais 29 do que na véspera (+11%), e 11.278 casos de infecções confirmadas, o que representa um aumento de 754 em relação a sexta-feira (+7,2%).
Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de Março, encontra-se em Estado de Emergência desde a meia-noite de 19 de Março e até ao final do dia 17 de Abril, depois do prolongamento aprovado na passada quinta-feira na Assembleia da República.
*Notícia actualizada às 10:03






