Hilary Benn, secretário britânico para a Irlanda do Norte, acusou pessoas nas redes sociais de tentarem incitar a desordem em Belfast, depois de duas noites de violência na sequência de um ataque com faca, noticia o ‘The Guardian’. O governante condenou em particular a partilha de moradas online para transformar casas em potenciais alvos de ódio.
Questionado pela ‘BBC Breakfast’ sobre alegados casos de endereços divulgados nas redes sociais, Benn foi direto: “É completamente inaceitável dirigir alguém a uma morada específica porque se diz, ou se pensa saber, que uma determinada pessoa vive ali.”
O secretário para a Irlanda do Norte afirmou que a maioria das pessoas ficaria chocada ao saber que esse tipo de prática está a acontecer. Defendeu ainda que as empresas de redes sociais têm responsabilidade na remoção de conteúdos ilegais, sobretudo em contextos de tensão como o que se viveu recentemente na Irlanda do Norte.
Benn insistiu também que os episódios de violência não representam o país. “Isto não é o que a Irlanda do Norte é, não é a verdadeira Irlanda do Norte, é um lugar cheio de pessoas calorosas”, afirmou à BBC. O governante classificou os envolvidos como “um pequeno número de arruaceiros” e sublinhou que, com “os olhos do mundo” postos na Irlanda do Norte, a violência “tem de parar”.
“Violência racista”, diz Benn
Em declarações à ‘Sky News’, Benn disse que pessoas de minorias étnicas na região estão preocupadas com a possibilidade de serem os próximos alvos. O governante referiu relatos de pessoas paradas nos seus carros, a caminho do trabalho, para serem questionadas sobre a sua nacionalidade.
“É completamente inaceitável”, afirmou.
Questionado sobre se os motins deveriam ser descritos como racistas, e não apenas como protestos, Benn respondeu: “Se se está a atacar pessoas com base na cor da pele, de que outra forma se pode descrever isso? É violência racista, não há qualquer dúvida.”
A acusação surge depois de figuras como Tommy Robinson e Elon Musk terem publicado sobre os distúrbios em Belfast. Tommy Robinson chegou a divulgar uma lista de locais de protesto, acompanhada de uma legenda em que descrevia o ataque como mais um caso de um “invasor” contra “o nosso povo”. Mais tarde, afirmou que os protestos não eram seus e que estava apenas a transmitir informação.
Família da vítima pede fim da desinformação
Os protestos começaram após um ataque com faca que deixou Stephen Ogilvie hospitalizado. Segundo o ‘The Guardian’, Ogilvie perdeu o olho esquerdo na sequência do ataque.
A família da vítima condenou os protestos violentos e apelou ao fim da desinformação. A posição da família reforça o contraste entre o crime que desencadeou a tensão e a escalada de violência que se seguiu nas ruas de Belfast.
Hadi Alodid, sudanês de 30 anos e residente em Duncairn Avenue, em Belfast, foi acusado de tentativa de homicídio de Stephen Ogilvie. Foi também acusado de posse de faca em local público, em Kinnaird Avenue.
Redes sociais no centro da tensão
Para Benn, o problema não está apenas nos confrontos nas ruas, mas também na forma como publicações online podem agravar a violência, alimentar hostilidade contra migrantes e direcionar grupos para alvos concretos.
O aviso do governante coloca novamente as plataformas digitais sob escrutínio, num momento em que as autoridades tentam conter novas mobilizações. Segundo relatos citados pelo The Guardian, alguns manifestantes terão planeado atacar um hotel que acreditavam estar a alojar migrantes.
As autoridades receiam que conteúdos publicados online possam aumentar esse risco, sobretudo quando incluem locais, moradas ou listas de pontos de concentração. A resposta do Governo britânico passa, por isso, não apenas pela ação policial, mas também pela pressão sobre as plataformas para removerem conteúdos ilegais.
Confrontos deixaram 12 polícias feridos
A segunda noite de violência ocorreu na zona de Newtownabbey, a cerca de 13 quilómetros a norte de Belfast. A polícia usou um canhão de água para dispersar uma multidão de cerca de 300 pessoas junto à rotunda de Sandyknowes, depois de manifestantes terem incendiado um camião e lançado tijolos e cocktails Molotov contra as autoridades.
Doze agentes ficaram feridos e 16 pessoas foram detidas. Imagens divulgadas mostram homens vestidos de preto e com o rosto coberto a arrancar tijolos de propriedades e a partir pedras de pavimento com marretas para as usar como projéteis.
Durante os confrontos, houve ainda tentativas de incendiar um edifício devoluto perto de uma estação de serviço, contentores de lixo foram retirados das ruas e incendiados, e uma carrinha branca foi conduzida para as chamas antes de o condutor abandonar o veículo.
O caso surge num dia em que o Governo britânico acompanha a resposta à segunda noite de distúrbios em Belfast e procura perceber se há ligações com outros episódios de tensão registados recentemente, incluindo em Southampton. Para Hilary Benn, a mensagem central é que a violência e a intimidação de minorias não representam a Irlanda do Norte e devem parar.
Police deploy water cannons at Sandyknowes in Newtownabbey after a crowd repeatedly attempted to breach police lines and reach a migrant hotel.#Newtownabbey pic.twitter.com/b1pV0xQBJT
— BPI News (@BPINewsOrg) June 10, 2026













