Fernando Alexandre reconheceu que nem tudo correu como previsto na correção digital dos exames nacionais do Ensino Secundário e evitou garantir que todas as classificações serão conhecidas na data prevista. O ministro da Educação recusou, no entanto, abandonar o modelo digital, defendendo que o sistema “veio para ficar”.
Em entrevista à CNN Portugal, Fernando Alexandre admitiu que houve falhas no processo, mas garantiu que o Ministério da Educação interveio para corrigir os problemas detetados. Ainda assim, o governante não assegurou de forma definitiva que os resultados estarão todos disponíveis no próximo dia 17.
“Estamos a fazer tudo” para cumprir calendário
Na mesma entrevista, o ministro afirmou que não vê, para já, motivos para alterar o calendário dos exames nacionais. Sublinhou, porém, que as notas só serão divulgadas quando houver garantia técnica de que correspondem ao desempenho real dos alunos.
Fernando Alexandre classificou o processo como “muito complexo” e reconheceu que a transição para o novo modelo poderia ter sido feita de outra forma. O governante admitiu que a implementação devia ter avançado de forma gradual, uma declaração que surge depois de sucessivas queixas de professores sobre dificuldades na plataforma digital.
Correção digital veio para ficar
Apesar dos problemas, o ministro da Educação defendeu a continuidade do sistema digital nos exames nacionais. Segundo Fernando Alexandre, o país deve aproveitar as possibilidades da tecnologia, argumentando que a escola não pode funcionar como se ainda estivesse “no século XX”.
O governante revelou ainda que 12 mil professores já corrigiram provas e garantiu que o ministério está a identificar o que falhou. Está também prevista uma auditoria ao processo, com o objetivo de retirar conclusões e evitar a repetição dos mesmos erros.
Professores continuam a relatar falhas
As dificuldades, no entanto, não desapareceram. Continuam a existir classificadores que ainda não conseguiram aceder à plataforma digital, enquanto outros, apesar de terem acesso, não encontram itens disponíveis para classificar, segundo denúncias de docentes.
O processo de digitalização já tinha sido alvo de críticas em 2025, quando a Associação de Professores de Filosofia e vários sindicatos apontaram dificuldades técnicas no projeto-piloto do Exame Nacional de Filosofia. Na altura, foram denunciados erros no sistema e falhas no acesso à plataforma de correção, embora o Ministério da Educação tenha considerado a experiência “muito positiva”.
Ministro recusa falar em demissão
Questionado sobre uma eventual demissão e sobre a possibilidade de o cargo estar em risco, Fernando Alexandre não respondeu diretamente. Limitou-se a afirmar que a equipa continua a trabalhar com motivação e que não existe área mais importante para o país do que a Educação.
O tema também chegou ao Parlamento. O presidente da Assembleia da República rejeitou um pedido de debate de urgência apresentado pelo Chega sobre os exames nacionais. Já o PSD mostrou disponibilidade para audições parlamentares relacionadas com os problemas registados no processo.
Famílias poderão ser compensadas
Fernando Alexandre garantiu ainda que as famílias que venham a ser prejudicadas por eventuais alterações ao calendário dos exames poderão receber compensação financeira, caso demonstrem prejuízo, nomeadamente por mudanças nas datas de férias já previstas.
O ministro defendeu que, se uma família provar que sofreu danos devido a alterações no calendário, o Estado deverá ressarci-la, enquadrando essa compensação como um direito jurídico.
Entretanto, a contestação ao processo continua. A petição que pede a anulação dos exames nacionais deste ano já reúne 6300 assinaturas.






