Ministra da Saúde admite que não haverá regresso à normalidade sem vacina. Desconfinamento pode ter “recuos”

A ministra não deixou de enaltecer o modelo universal do Serviço Nacional de Saúde e o empenho dos profissionais de saúde que, juntamente com o clima de paz política, explicam o sucesso desta caminhada no combate à pandemia.

Sónia Bexiga

A estratégia de regresso à normalidade possível pode ter avanços e também pode ter recuos em função de necessidades. Não podemos dizer que estamos livres que isso aconteça“, alertou a ministra da Saúde, Marta Temido, numa entrevista ao podcast “Ao Ponto”, do jornal brasileiro Globo.

Marta Temido, questionada sobre a decisão de começar o desconfinamento após quase dois meses de isolamento social e avisou que até a covid-19 “ser erradicada, até encontrarmos uma cura ou uma vacina, não podemos imaginar o regresso à normalidade“.

“Neste momento, tenho alguma preocupação que com o cansaço acumulado do confinamento, dessa situação económica que para alguns ficou bastante complicado, possa haver um menor cumprimento das regras de distanciamento“, reconheceu Marta Temido, reforçando ainda que “se tem de ter muita atenção, muito cuidado, ir muito nessa mensagem de que o sucesso da luta contra esta pandemia não depende só do Ministério da Saúde, do Governo, depende de cada um de nós.”

Neste contexto, a ministra não deixou de enaltecer o modelo universal do Serviço Nacional de Saúde e o empenho dos profissionais de saúde que juntamente com o clima de paz política, em seu entender, explicam o sucesso desta caminhada no combate à pandemia. “Contribuíram para que Portugal tenha sido um caso de sucesso na luta contra a pandemia — que espera que se repita agora no período do desconfinamento”, concluiu.

A estratégia a curto prazo passa essencialmente por adaptar os planos aos resultados epidemiológicos. Ou seja, segundo a ministra, “temos de ter as pessoas preparadas para uma estratégia que pode ter avanços e também pode ter recuos em função de necessidades. Não podemos dizer que estamos livres que isso aconteça. Aquilo que vamos procurar fazer é ter boas práticas, regras, por proposta dos vários setores, da indústria, do comércio, para o alívio de medidas em cada uma dessas áreas. Vamos fazer os alívios por medidas sucessivas, de 15 em 15 dias”, explicou.

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Quanto ao futuro, Marta Temido mostrou-se cautelosa. “Não podemos, para já, até a doença ser erradicada, até encontrarmos uma cura ou uma vacina, não podemos imaginar o regresso à normalidade. Vamos ter de nos habituar a viver com a doença, até para ir aumentado a imunidade de grupo, mas não dá para voltar à vida como ela era”.

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