Ministério Público francês pede sete anos de prisão para Sarkozy no caso do financiamento líbio

Procuradores pediram ainda uma multa de 300 mil euros e uma proibição de cinco anos de ocupar cargos públicos

Francisco Laranjeira

O Ministério Público francês pediu uma pena de sete anos de prisão para Nicolas Sarkozy, no julgamento de recurso do caso do alegado financiamento líbio da campanha presidencial de 2007. Segundo o ’20 Minutos’, os procuradores pediram ainda uma multa de 300 mil euros e uma proibição de cinco anos de ocupar cargos públicos.

O caso envolve suspeitas de que a campanha que levou Sarkozy ao Eliseu terá beneficiado de financiamento secreto do regime de Muammar Gaddafi. Em primeira instância, o antigo presidente francês foi condenado a cinco anos de prisão por associação criminosa, mas foi absolvido de outros crimes, incluindo corrupção e financiamento ilegal de campanha. No recurso, o Ministério Público quer que os juízes vão mais longe e condenem Sarkozy também por esses crimes.

A acusação sustenta que Sarkozy terá chegado a um “acordo” com o regime líbio para receber apoio financeiro encoberto em troca de uma revisão da situação judicial de Abdullah Senussi, cunhado e antigo braço-direito de Gaddafi. Senussi tinha sido condenado à revelia a prisão perpétua em França pelo atentado contra um avião da UTA, que matou 170 pessoas em 1989.

Segundo a acusação, terão sido transferidos cerca de seis milhões de euros para contas de um intermediário, numa operação que, nas palavras do Ministério Público citadas pelo ’20 Minutos’, terá “contaminado o financiamento das eleições presidenciais da Quinta República”. A decisão final do tribunal de recurso está prevista para 30 de novembro. A ‘Associated Press’ lembrou que Sarkozy esteve 20 dias na prisão de La Santé, depois da condenação em primeira instância, antes de ser libertado enquanto aguarda o desfecho do recurso.

A defesa rejeita as acusações e insiste que não entrou dinheiro líbio na campanha presidencial de 2007. À saída da audiência, o advogado Christophe Ingrain afirmou que Nicolas Sarkozy “é inocente” e que a eleição “não foi fraudulenta”. O antigo Presidente, hoje em liberdade condicional sob supervisão judicial, tem denunciado repetidamente aquilo que considera ser uma perseguição política e um “escândalo judicial”.

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O caso tornou-se um dos processos judiciais mais marcantes da política francesa recente. Sarkozy, que governou França entre 2007 e 2012, tornou-se o primeiro antigo chefe de Estado francês da era moderna a ser efetivamente preso. Jacques Chirac, seu antecessor no Eliseu, foi condenado em 2011 a dois anos de prisão com pena suspensa por factos relacionados com o período em que foi presidente da câmara de Paris, mas nunca compareceu em tribunal por motivos de saúde.

O julgamento de recurso começou em março e deverá prolongar-se até ao início de junho, antes da decisão marcada para novembro. Para a acusação, o caso representa um ataque grave à integridade do processo democrático francês. Para Sarkozy, trata-se de mais uma batalha para provar a sua inocência num processo que continua a dividir a vida política francesa.

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