«Os militares e os polícias estão aqui para servir os portugueses», afirmou o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), Almirante Silva Ribeiro, que está a ser ouvido no Parlamento sobre o modo como estão a ser empregues os meios e capacidades disponíveis nas Forças Armadas para prevenir, combater e auxiliar na contenção da pandemia, em coordenação próxima com as autoridades de saúde pública, com as FSS e com o SNS e demais instituições.
O Almirante Silva Ribeiro respondia aos bloquistas, confrontado com um incidente entre a Polícia de Segurança Pública e militares durante uma operação de resgate de um lar de terceira idade em Vila Real, negando que exista qualquer conflito. Tratou-se de um «erro» das forças de segurança. Segundo o CEMGFA, a presença de armas naquela situação estava «perfeitamente legitimada, pela natureza do material utilizado».
«Fui muito pressionado para reagir, mas não o quis fazer. Os portugueses não iriam entender uma crise destas nesta altura. O nosso problema é a Covid-19, não são guerras de capelinhas», sublinhou ainda.
Quando à reserva de recrutamento, explica que «não é uma forma encapotada» de fazer com que regresse o Serviço Militar Obrigatório, reiterando o que já havia sido dito pelo ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho. «Longe de nós», disse mesmo Silva Ribeiro, sublinhando que um serviço militar obrigatório, como o que existiu até 2004, «não está na mente de nenhum chefe militar ou de responsável político». Para já, responderam cerca de oito mil pessoas.
Recorde-se que o Ministério da Defesa quer criar condições para que as Forças Armadas possam recrutar portugueses entre os 18 e os 35 anos. A medida está a ser equacionada para quando não tiverem militares suficientes para o cumprimento das missões.
Silva Ribeiro admitiu, ainda assim, os problemas com o recrutamento. Hoje, o efectivo das Forças Armadas está abaixo dos 30 mil a 32 mil que legalmente é admitido.
Militares podem ser requisitados para controlar fronteiras
O controlo fronteiriço consta, segundo o jornal, de acções em planeamento num estudo da Direcção-Geral de Política de Defesa Nacional. «Espero que essa operação fique em planeamento. Só quando as forças de segurança esgotarem as suas capacidades se justificará», explicou ao “Público” João Gomes Cravinho, sublinhando que «as Forças Armadas não fazem acções de ordem pública, mas há planos, se necessário for». Ainda assim, por enquanto, não há essa necessidade e esses planos podem mesmo ficar na gaveta», disse o ministro da Defesa Nacional, referindo-se ao quadro comparativo das acções das Forças Armadas de 19 países, no âmbito do combate à pandemia de Covid-19, a que o “Público” teve acesso.
A pandemia de Covid-19 já matou 170.308 pessoas e há quase 2,5 milhões de infectados em 193, segundo um balanço da Agence France-Press, às 11 horas, a partir de dados oficiais.
Portugal regista, neste momento, 21.379 casos confirmados de infecção por Covid-19 (+516 do que ontem) e 762 vítimas mortais associadas ao novo coronavírus (+27), segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral da Saúde desta terça-feira, dia 21 de Abril.
O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».
*Notícia actualizada às 17:06




