Militares dos EUA já estão em centros de comando no México, revela imprensa americana

Revelação surge num momento de crescente tensão bilateral, alimentada pela intenção declarada de Donald Trump de reforçar a presença militar dos Estados Unidos a sul do Rio Grande

Francisco Laranjeira

Apesar da retórica firme da presidente mexicana contra qualquer intervenção externa, militares americanos já se encontram posicionados em centros de comando no México, no âmbito de um mecanismo conjunto de cooperação contra os cartéis da droga. A revelação surge num momento de crescente tensão bilateral, alimentada pela intenção declarada de Donald Trump de reforçar a presença militar dos Estados Unidos a sul do Rio Grande.

De acordo com o ‘ABC’, que cita uma investigação do ‘The New York Times’, o dispositivo permite coordenar operações destinadas à destruição de laboratórios de fentanil e à preparação de ações para capturar líderes do narcotráfico procurados pelas autoridades americanas. A Casa Branca não desmentiu a informação.

Segundo o jornal americano, autoridades mexicanas estão sob forte pressão para aceitar um entendimento mais amplo, numa altura em que responsáveis dos Estados Unidos defendem ataques com drones conduzidos por forças militares ou pela CIA contra alegados alvos do tráfico. Uma opção desse tipo, escreve o ‘New York Times’, constituiria uma violação direta da soberania mexicana e enfraqueceria politicamente o Governo de Claudia Sheinbaum.

Um discurso oficial em choque com a realidade no terreno

Para o executivo mexicano, a situação representa um embaraço político. A presidente insiste regularmente que a cooperação com Washington se limita à partilha de informação de inteligência entre o Pentágono, agências de segurança americanas e as autoridades mexicanas, sublinhando que as operações no terreno são conduzidas exclusivamente por forças nacionais. A presença de militares dos EUA em centros de comando contraria essa narrativa.

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O contexto político é particularmente sensível para o partido no poder. Para além da agenda de segurança, Sheinbaum enfrenta este ano a renegociação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio, que envolve México, Estados Unidos e Canadá e constitui um dos pilares da economia mexicana.

Pressão diplomática e exigência de resultados

O clima agravou-se após uma conversa telefónica entre Sheinbaum e Trump, na qual a presidente mexicana exigiu uma abordagem mais rigorosa ao combate ao crime organizado. Dias depois, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, voltou a falar com o ministro mexicano dos Negócios Estrangeiros, Juan Ramón de la Fuente, numa chamada centrada em questões de inteligência e segurança.

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Após esse contacto, o Departamento de Estado deixou claro que Washington espera resultados rápidos. “Os Estados Unidos deixaram claro que o progresso gradual no enfrentar dos desafios à segurança das fronteiras é inaceitável”, afirmou, acrescentando que as próximas reuniões bilaterais exigirão “resultados concretos e verificáveis” na desarticulação das redes do narcotráfico e na redução efetiva do tráfico de fentanil, segundo o ‘ABC’.

Sheinbaum respondeu publicamente às críticas, defendendo uma abordagem partilhada. A presidente sublinhou o esforço diário das autoridades mexicanas, referindo operações constantes, extradições em curso e o envio de criminosos de alto risco para os EUA. Ao mesmo tempo, exigiu que Washington intensifique o combate ao tráfico de armas para o México e invista em prevenção, educação e redução do consumo de drogas no seu próprio território.

Uma presença discreta, mas contínua

A presença militar americana no México não é inteiramente nova. Desde o início do mandato de Sheinbaum, em outubro de 2024, centenas de oficiais dos EUA entraram no país para missões oficialmente classificadas como treino e cooperação com as forças mexicanas.

Face à escalada da pressão política e diplomática, a presidente mexicana admite agora procurar um encontro presencial com Donald Trump, uma possibilidade que tinha rejeitado no passado, preferindo limitar os contactos a conversas telefónicas.

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