Milhões de besouros estão a destruir florestas em todo o mundo. Que estragos já causou esta praga?

Uma praga de minúsculos besouros do pinheiro da montanha, do tamanho de um grão de arroz, já destruiu 15 anos de fornecimento de madeira na Colúmbia Britânica (BC), árvores suficientes para construir 9 milhões de casas familiares e já estão a fustigar florestas em Alberta, no noroeste do Pacífico.

E, agora, assiste-se a um surto de besouros de abetos que ameaça devorar ainda mais árvores na América do Norte, enquanto pragas semelhantes estão a dizimar partes da Europa, criando um excesso de árvores mortas ou a morrer.

Os insetos prosperam à medida que as mudanças climáticas aquecem os invernos que normalmente os manteriam afastados, afetando cada vez mais a cadeia de fornecimento da madeira, o que poderá acabar por gerar uma escassez no mercado imobiliário global.

Neste momento, os preços da madeira estão a subir para níveis recorde graças a um aumento na procura sobretudo ligada a pequenas obras de requalificação, transformação de moradias provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Ao todo, segundo números da ‘Bloomberg’, os besouros derrubaram 730 milhões de metros cúbicos de pinheiro entre 2000 e 2015 na Colúmbia Britânica, o maior exportador canadiano de madeira para o mercado imobiliário dos EUA. Ou seja, “apagou mais de uma década de fornecimento de madeira e reduzirá a produção permitida no interior da região nuns impressionantes 40%”, disse David Elstone, proprietário do Spar Tree Group, com sede em Vancouver, antevendo que cerca de 55% dos pinheiros comercializáveis estarão mortos em 2020.

Há algumas décadas atrás, o besouro do pinheiro da montanha fazia parte do ciclo normal de morte e regeneração da floresta. As pragas alimentavam-se de árvores maduras, fornecendo combustível para incêndios florestais que, então, estimulariam um novo crescimento. Mas em 1950, os homens tornaram-se muito bons a apagar incêndios florestais, deixando uma ‘miscelânea’ de árvores mais velhas para os insetos atacarem, explica Allan Carroll, professor de ecologia de insetos e diretor do Programa de Ciências Florestais da Universidade de British Columbia.

A única forma maneira de impedir a rápida propagação é encontrar e destruir árvores infetadas. A epidemia, que começou no início dos anos 2000, estimulou uma grande operação de resgate nesta região, enquanto as serrarias teriam de se apressar para processar e exportar madeira antes que as árvores a morrer percam valor de mercado.

A situação é ainda pior na Europa, onde vários anos de verões quentes e invernos secos deixaram árvores ‘stressadas pela seca’, prontas para a propagação de insetos. Cerca de uma dúzia de países europeus têm surtos do besouro da casca do abeto, incluindo infestações significativas na Alemanha e na República Checa, disse Russ Taylor, diretor da FEA Canadá. A quantidade de madeira serrada destruída no surto pode ultrapassar o quanto o besouro do pinheiro da montanha matou em BC caso as condições climáticas persistam, de acordo com um relatório da FEA.

“Este pequeno inseto pode abrir um buraco de 625 milhões de dólares nas florestas da Suécia. Na República Checa, a matança de besouros é maior do que sua capacidade total de colheita”, disse Taylor. “Eles estão a lutar numa batalha perdida”, reforçou

A situação já alterou os fluxos comerciais normais. A Europa Central é agora um dos fornecedores de custo mais baixo do mundo, enviando uma grande quantidade de madeira barata e danificada para a China. Eventualmente, a Europa estará no mesmo barco que o BC, reduzindo o fornecimento assim que as moradias nos EUA começarem a se recuperar e precisar de mais madeira, concluiu Taylor.

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