A ofensiva turca contra uma milícia curda apoiada pelos países ocidentais pode comprometer a segurança de alguns campos de detenção jihadistas, onde se encontram dezenas de ex-combatentes do autoproclamado Estado Islâmico e as suas famílias, avança o “El País”.
As Forças Democráticas da Síria (FDS), dominadas pelos curdos das Unidades de Protecção do Povo (YPG), têm sob sua custódia 12 mil homens que se encontram detidos pelas forças especiais curdas numa prisão e 80 mil mulheres e crianças. Entre eles, estão 2500 europeus, 17 dos quais menores, três mulheres e um homem espanhol.
«Vamos manter os jihadistas na prisão, enviaremos para os seus países de origem aqueles que forem aceites» e “daremos cursos de desradicalização às mulheres e aos seus filhos», disse esta quinta-feira o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
Através da rede social Twitter, as FDS anunciaram a captura de cinco terroristas, 15 mortos e outras 25 capturas em Ras al-Ain,
«Os curdos estão a confiscar os nossos telefones e não temos notícias há uma semana», diz a nora de dois jihadistas presos em Al Hol, no Nordeste da Síria. A ajuda humanitária pouca é num país onde morreram já 409 crianças este ano, devido a subnutrição e complicações respiratórias.
O campo de detenção de Al Hol é o mais afastado da fronteira turca, mas o mais populoso. Tem 80 mil pessoas, das quais mais da metade são crianças.
Recorde-se que, no domingo, o Presidente norte-americano, Donald Trump, disse que as tropas dos Estados Unidos iam abandonar a zona em causa. Mais tarde, o chefe de Estado norte-americano veio assegurar que Washington não tinha «abandonado os curdos», que desempenharam um papel essencial na derrota militar dos extremistas do Estado Islâmico.
A operação tem como alvo zonas controladas pela principal milícia curda síria, as YPG, considerada terrorista por Ancara e apoiada pelos ocidentais para combater os jihadistas do Estado Islâmico. Um dos objectivos da operação é criar uma zona de cerca de 30 quilómetros de extensão a partir da sua fronteira no norte da Síria e deslocar para a região parte dos 3,6 milhões de refugiados sírios que vivem em solo turco.













