Um alto nível de produtos químicos foi encontrado no abastecimento de água de milhares de casas em Cambridgeshire, no Reino Unido, noticiou esta terça-feira o jornal britânico ‘The Guardian’, que apontou ainda que os moradores expostos não foram avisados.
A Cambridge Water admitiu, em relatório, ter removido quatro vezes o limite legal de perfluorooctanossulfonato (PFOS) das casas dos clientes no último verão, embora cerca de mil moradores nunca tenham sido informados de que haviam sido expostos ou por quanto tempo a água esteve contaminada.
O PFOS é um produto químico sintético que tem sido associado a riscos à saúde, como colesterol alto, baixo peso ao nascer e resposta imunossuprimida. Aqueles expostos ao produto químico também correm maior risco de diabetes tipo 2 e obesidade.
“As pessoas que consumiram água consistentemente [nesses níveis] terão um risco aumentado de certos tipos de doenças que foram associadas a estudos epidemiológicos – no colesterol e na resposta reduzida de anticorpos da vacina, o que é preocupante porque realmente precisamos que o nosso sistema imunológico esteja a funcionar muito bem agora”, relatou Jamie DeWitt, professor de farmacologia e toxicologia da East Carolina University, dos Estados Unidos, em declarações ao jornal britânico.
Cerca de 7 mil moradores que vivem em Strapleford e Shelford alegaram que não ouviram nada da Cambridge Water, apesar de a empresa saber da contaminação desde junho passado. A empresa frisou que, enquanto as investigações estavam a ser realizadas, “não havia contado à comunidade”.
A empresa de abastecimento de água monitoriza os produtos químicos na água nos seus locais numa base de entre 1 e 4 níveis – sendo o nível 1 o menor risco e 4 o pior. No entanto, pesquisas de amostragem descobriram casos de casas, no aeródromo de Duxford, que apresentavam a categoria de nível 3 – quatro vezes o limite seguro.
Elinor Cordiner, chefe de qualidade e conformidade da água potável da Cambridge Water, garantiu que “o abastecimento de água desta fonte foi sempre misturado com outras fontes antes de chegar aos nossos clientes, o que significa que os níveis de PFOS nas torneiras dos clientes estavam no nível 1 ou em torno dele”, relatou, ao tabloide britânico ‘Sun’.
A empresa não diz há quanto tempo as aldeias bebem a água contaminada, apenas que a amostragem realizada em 2020 sugeriu que os níveis estavam abaixo do limite de 100 ng/l, mas não forneceu um nível de concentração exato.




