Milhares de cadáveres comercializados em escândalo médico abalam China

Responsáveis da ‘Shanxi Osteorad Biomaterial’ e da ‘Sichuan Hengpu Technology’ foram acusados de receber mais de 4 mil cadáveres ilegalmente, o que permitiu, somente à primeira empresa, receitas de quase 53 milhões de dólares entre 2015 e 2023

Francisco Laranjeira

As autoridades chinesas indiciaram dezenas de suspeitos num esquema de mais de uma década no qual cadáveres marcados para cremação foram vendidos para uma das maiores empresas de biomateriais da China, uma empresa com ligações ao Estado.

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Os responsáveis da ‘Shanxi Osteorad Biomaterial’ e da ‘Sichuan Hengpu Technology’ foram acusados de receber mais de 4 mil cadáveres ilegalmente, o que permitiu, somente à primeira empresa, receitas de quase 53 milhões de dólares entre 2015 e 2023 (cerca de 48,5 milhões de euros).

O suposto tráfico de cadáveres abrangeu pelo menos sete províncias e quase uma dúzia de cidades, onde os corpos foram transferidos, dissecados, armazenados ou transformados em dispositivos materiais para procedimentos de enxerto ósseo, pode ler-se na acusação da Procuradoria Popular de Taiyuan, na província de Shanxi.

No caso estão envolvidos pelo menos 75 suspeitos, incluindo funcionários de funerárias, médicos e acionistas da empresa – no entanto, a investigação ainda decorre, pelo que o número pode aumentar, de acordo com a publicação de Xangai, ‘The Paper’.

O relatório foi alvo de uma breve notícia na emissora estatal chinesa ‘CCTV’ esta quinta-feira, embora tenha sido removida poucas horas depois. As conversas sobre o tópico também estão a ser restringidas no Weibo, a maior rede social da China, avançou a revista ‘Newsweek’.

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A ‘Shanxi Osteorad’ foi fundada em 1999 como uma subsidiária do Instituto Chinês de Proteção contra Radiação de Taiyuan, parte da estatal ‘China National Nuclear Corp’, sediada em Pequim – está entre os maiores fornecedores de enxertos ósseos e substitutos do país num mercado que valerá 500 milhões de dólares até ao final da década – o seu maior acionista também é dono da ‘Sichuan Hengpu’, uma fabricante de dispositivos médicos.

Quatro funerárias nas províncias de Yunnan, Guizhou e Sichuan, no sudoeste da China, bem como no município de Chongqing, cobraram taxas de cremação de familiares antes de vender os corpos para dois hospitais para dissecação e armazenamento, segundo a acusação, que indicaram que alguns familiares pagaram pelos serviços de cremação, mas não quiseram levar as cinzas para casa. Em outros casos, foram selecionados cadáveres não reclamados.

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