Mais de 300 mil búfalos terão sido decapitados em Bara, no Nepal, por ocasião de um dos rituais religiosos mais sangrentos do mundo. O sacrifício de milhares de animais faz parte do festival Gadhimai, que se realiza de cinco em cinco anos, há mais de dois séculos, em homenagem a uma deusa hindu.
Na terça-feira, 3 de Dezembro, uma cabra, uma ratazana, uma galinha, um porco e um pombo foram sacrificados para dar início ao Gadhimai. Depois, entraram no recinto 200 talhantes munidos de um khukuri (uma espada afiada popular no Nepal) e começaram a decapitar búfalos, para que o sangue fosse entregue como uma oferenda à deusa Gadhimai, sob a crença de que traz prosperidade. Só no primeiro dia, morreram seis mil.
Apesar de, em 2015, o Supremo Tribunal ter declarado a matança ilegal e de a Índia ter proibido o envio de animais para o Nepal, o festival voltou a realizar-se este ano. Os animais são colocados todos juntos numa área, do tamanho de um campo de futebol, vetada com arame farpado, sem água ou comida.
Perante isto, são vários os activistas pelos direitos dos animais que tentam travar o festival Gadhimai. «Não estamos contra as tradições e culturas, mas se essas práticas magoam os animais, então temos que acabar com elas», disse ao “The Guardian” Sneha Shrestha, da Federação de Bem Estar Animal do Nepal.
Mas há quem defenda a continuidade do ritual. «Os que protestam contra o festival vão continuar a protestar, mas aqueles que querem prestar homenagem à deusa também vão lutar”, disse uma nepalesa, citada no mesmo texto. “Ninguém pode parar isto. A nossa fé é importante e o sacrifício valida-a.»
O festival é financiado por dinheiro público e a degolação dos animais é presenciada por crianças.







