Milei prepara anúncio sobre as Malvinas e avisa Reino Unido: “Vamos defender os nossos interesses com unhas e dentes”

Donald Trump admitiu que está a rever a posição dos EUA relativamente ao arquipélago, levando Londres a reafirmar imediatamente que o seu compromisso com as ilhas permanece “inabalável”

Francisco Laranjeira

O presidente argentino, Javier Milei, voltou a elevar o tom na histórica disputa com o Reino Unido pela soberania das Ilhas Malvinas, conhecidas pelos britânicos como Falkland, prometendo defender os interesses da Argentina “com unhas e dentes, não importa quem incomode”.

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As declarações surgem num momento particularmente sensível: Donald Trump admitiu que está a rever a posição dos EUA relativamente ao arquipélago, levando Londres a reafirmar imediatamente que o seu compromisso com as ilhas permanece “inabalável”.

Milei prepara agora uma comunicação nacional para a noite de quinta-feira dedicada exclusivamente às Malvinas, que classificou como uma questão “sagrada” para os argentinos.

Segundo o ‘The Independent’, o presidente argentino considera que a soberania nacional continua a ser “violada” e deixou claro que não pretende abandonar a reivindicação histórica de Buenos Aires.

“Continuaremos a defender os interesses da nação argentina com unhas e dentes, não importa quem incomode”, afirmou Milei.

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O conteúdo concreto do anúncio de quinta-feira ainda não é conhecido. A presidência argentina indicou, porém, que a intervenção servirá para apresentar à população mais detalhes sobre os avanços diplomáticos que o Governo considera ter alcançado na defesa da reivindicação de soberania sobre as ilhas. A comunicação está prevista para as 21h00 locais.

Trump volta a colocar as Malvinas no centro da discussão

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A subida de tom de Milei acontece depois de Donald Trump ter sido questionado sobre a possibilidade de os EUA alterarem a sua posição relativamente às ilhas.

“Revejo sempre todas as posições. Essa é apenas uma de muitas”, respondeu o presidente dos EUA na Sala Oval, sem esclarecer se Washington prepara efetivamente uma alteração da sua política.

A posição formal dos EUA na disputa de soberania é de neutralidade, embora Washington tenha apoiado o Reino Unido durante a guerra de 1982, depois de a Argentina ter invadido as ilhas.

A declaração de Trump ganha particular relevância depois de terem surgido notícias segundo as quais responsáveis dos EUA admitiam reconsiderar a posição de Washington caso Londres não aumentasse suficientemente as despesas com Defesa.

Uma mudança efetiva da política dos EUA representaria uma alteração diplomática importante, embora Trump não tenha anunciado até agora qualquer decisão nesse sentido.

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Milei, aliado próximo do presidente dos EUA, classificou as palavras de Trump como “algo muito significativo” para aquela que considera ser a mais importante reivindicação territorial argentina.

Londres responde: “São britânicas e continuarão britânicas”

A resposta britânica não demorou.

Downing Street reiterou que a posição do Reino Unido é “de longa data e inabalável” e insistiu que o direito dos habitantes das Falkland à autodeterminação é determinante.

“A soberania pertence ao Reino Unido e o direito dos habitantes das ilhas à autodeterminação é fundamental”, afirmou um porta-voz do primeiro-ministro britânico, citado pelo ‘The Independent’.

James Cartlidge, responsável da oposição conservadora pela pasta da Defesa, foi ainda mais direto: “As Falkland são britânicas e continuarão britânicas.”

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Cartlidge recordou também os militares britânicos que morreram durante a guerra de 1982 e defendeu que Londres continuará a respeitar a vontade expressa pelos habitantes do arquipélago.

Esse argumento assenta sobretudo no referendo realizado em 2013. Nessa consulta, 99,8% dos eleitores votaram pela manutenção do estatuto das ilhas como território britânico ultramarino. Apenas três votos foram contra.

Uma disputa com mais de quatro décadas de feridas

Argentina e Reino Unido disputam a soberania das ilhas há décadas, tendo a tensão culminado na guerra de 1982.

A 2 de abril daquele ano, forças argentinas invadiram o arquipélago. O Reino Unido respondeu enviando uma força militar para o Atlântico Sul e recuperou o controlo das ilhas após 74 dias de conflito.

A Argentina nunca abandonou a reivindicação de soberania, designando o território como Islas Malvinas.

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O tema voltou a ganhar particular visibilidade nos últimos meses. Durante as celebrações da seleção argentina no Mundial de futebol deste verão, jogadores exibiram uma faixa com a frase “Las Malvinas son Argentinas” — “As Malvinas são argentinas” — depois da vitória sobre Inglaterra.

Agora, porém, a disputa saiu novamente do campo simbólico para a diplomacia internacional.

Com Trump a admitir publicamente que a posição dos EUA pode ser revista e Milei a preparar uma comunicação nacional dedicada à questão, Londres procura eliminar qualquer dúvida sobre a sua própria posição: para o Governo britânico, a soberania das Falkland e o direito dos habitantes a decidirem o seu futuro não estão em discussão.

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