A Península Ibérica nunca terá sido tão importante para manter a economia da zona Euro a funcionar: a economia de Portugal e Espanha foi responsável por 50% de todo o crescimento do euro no último trimestre, apesar de representaram apenas 13$ do PIB da zona Euro. Assim, destacou a publicação ‘El Economista’, se se retirar a Península Ibérica, o crescimento trimestral da zona Euro teria sido negativo, sendo que o crescimento homólogo teria caído para metade.
De acordo com a JP Morgan, “a Espanha sozinha é responsável por um terço de todo o crescimento da zona Euro”, algo que não é sustentável, já que Espanha e Portugal não podem manter esse tipo de “milagre económico” indefinidamente.
As economias da Espanha e de Portugal lideraram o crescimento do PIB no último trimestre de 2024: Espanha expandiu 0,8% e Portugal 1,5%. Na base anual, a Espanha cresceu 3,5% e Portugal 2,7%. O bom desempenho das economias ibéricas impediu que a zona Euro registasse uma contração do PIB neste período.
Em dados anuais, esse impulso é ainda mais claro. A zona do euro cresceu 0,9%. Desses, Espanha e Portugal foram responsáveis por 0,43 pontos percentuais: Espanha contribuiu com 0,3815 e Portugal com 0,0459 pontos. Ou seja, a Península Ibérica é responsável por quase 50% de todo o crescimento da zona Euro, apesar de a economia espanhola representar 10,9% do PIB da zona Euro e a portuguesa pouco mais de 1,7%.
Ambos os países estão num ciclo de expansão das suas economias, com crescimento demográfico significativo, criação de empregos e a desfrutar de novas preferências globais de consumidores, que têm dado prioridade aos serviços produzidos em massa tanto na Espanha como em Portugal. Uma boa prova disso é a taxa de desemprego, que em ambas as economias mostrou uma clara tendência de queda, apesar do crescimento populacional (especialmente estrangeiro). Isso significa que a Península Ibérica está a crescer a um ritmo suficiente para absorver um grande número de trabalhadores – em Portugal, a taxa de desemprego é de 6,4%, enquanto em Espanha é de 10,61%, uma taxa que à primeira vista parece alta, mas que para os padrões espanhóis é “perigosamente” baixa.
Assim, dois países do sul da Europa, que já foram o maior problema da zona Euro, são agora os cavalos a puxar a carroça carregada de ‘gigantes económicos’, como Alemanha, França e Itália. A recuperação desses ‘gigantes’ é essencial para que a economia da zona Euro cresça de forma sustentável e diversificada, diferentemente do que está a acontecer agora.
O outro lado da moeda são justamente as duas grandes potências históricas da região: Alemanha e França. Ambas as economias competem a todo momento pelo título de ‘homem doente’ da Europa, e os dados do PIB do quarto trimestre confirmaram essa luta: a Alemanha, que responde por 29,3% do PIB da zona Euro, registou uma contração de 0,2% no último trimestre de 2024. França, que representa 21,5% do “bolo”, registou uma contração de 0,1%.
As causas do crescimento significativo na Espanha e em Portugal têm sido alvo de análise: ambas as economias são orientadas para serviços e, portanto, menos expostas à atual fraqueza da indústria no resto da zona Euro. Além disso, ambos os países têm grandes setores de turismo e foram os principais beneficiários da recuperação das viagens internacionais pós-pandemia. Os fluxos migratórios líquidos também aumentaram, impulsionando o forte crescimento populacional. Por último, o mercado comum ibérico de energia, com a sua grande participação em energias renováveis e a pequena dependência do gás russo, atenuou o aumento dos custos de energia.














