Metro de Lisboa teve 49 perturbações na circulação em menos de um mês. Especialistas denunciam falta de manutenção

As principais causas foram avarias nos comboios, problemas no sistema de sinalização e falta de pessoal.

Revista de Imprensa

Em apenas 29 dias, o Metropolitano de Lisboa registou 49 ocorrências que afetaram a circulação nas suas linhas. As principais causas foram avarias nos comboios, problemas no sistema de sinalização e falta de pessoal. Apesar de a empresa garantir que as manutenções estão a ser realizadas, o antigo vereador da mobilidade da Câmara de Lisboa, Fernando Nunes da Silva, afirma que o plano de manutenção não está a ser cumprido devido à falta de material circulante.

O primeiro mês de 2025 arrancou com problemas recorrentes no Metro de Lisboa. A 1 de janeiro, a empresa informava através das redes sociais que existiam “perturbações na circulação” na Linha Azul e que “o tempo de espera poderia ser superior ao normal”. Este cenário prolongou-se ao longo do mês, com um total de 49 ocorrências registadas entre os dias 1 e 29 de janeiro, segundo dados fornecidos pela própria empresa à revista SÁBADO.

As perturbações tiveram diversas causas:

  • Avarias nos comboios – 20 ocorrências
  • Motivos alheios (como passageiros em linha ou emergências médicas) – 14 ocorrências
  • Avarias no sistema de sinalização – 12 ocorrências
  • Falta de pessoal – 2 ocorrências
  • Falhas de energia – 1 ocorrência

As avarias no material circulante destacaram-se como a principal causa das interrupções, provocando atrasos e constrangimentos para milhares de passageiros.

Especialista critica falta de manutenção

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Apesar de o Metropolitano de Lisboa garantir que as manutenções estão a ser asseguradas, Fernando Nunes da Silva, antigo vereador da mobilidade da Câmara de Lisboa, afirma o contrário.

“Por falta de material circulante e das perturbações, o Metropolitano não está a conseguir fazer manutenções de acordo com o plano estabelecido”, explicou à SÁBADO. “Não há capacidade para o fazer. Por isso é que se tem observado paragens dos comboios em plena via.”

O especialista defende que a administração do Metro deveria ter investido mais no material circulante, em vez de concentrar esforços exclusivamente na construção de novas infraestruturas.

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“O Metropolitano sabia desde o início que as obras para a construção de linhas circulares iriam introduzir fortes perturbações na circulação de comboios”, alerta Nunes da Silva.

Investimentos e novos projetos

Perante as falhas no serviço, o Metropolitano de Lisboa garante que estão em curso investimentos para modernizar a rede. A empresa destaca o “investimento no novo sistema de sinalização”, que deverá melhorar a frequência e regularidade da circulação.

“O processo de instalação do novo sistema de sinalização está a ser realizado de forma faseada nas atuais Linhas Azul, Amarela e Verde”, afirmou a empresa. “Prevê-se que o sistema, incluindo as funcionalidades CBTC, entre em operação comercial plena no segundo semestre do corrente ano, na Linha Azul.”

Além disso, o Metro afirma que está a renovar a sua frota com a aquisição de novos comboios:

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  • 42 carruagens ML24, já em fase de entrega
  • 108 carruagens ML24, previstas para reforçar a operação

A empresa refere que estes novos veículos são “da última geração tecnológica” e permitirão substituir progressivamente o material circulante que está em fim de vida útil.

Linha Azul foi a mais afetada

Entre as 27 perturbações relatadas nas redes sociais do Metro, a Linha Azul foi a que registou mais ocorrências. De acordo com os dados:

  • Linha Azul – 10 perturbações
  • Linha Verde – 9 perturbações
  • Linha Amarela – 7 perturbações
  • Linha Vermelha – 0 perturbações

Apesar da elevada frequência de problemas, o Metropolitano de Lisboa garante que estes incidentes “não representam o novo normal” da rede e que as avarias são “objeto de atenção permanente” por parte da empresa.

Além disso, a empresa defende que o número de ocorrências registadas está “em linha com a média verificada nos sistemas de metro de referência a nível europeu”.

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