Os objetivos de vida tradicionais, como casar e ter filhos, estão a perder peso entre os adolescentes mais jovens. Um novo inquérito revela que apenas metade dos jovens entre os 13 e os 16 anos — pertencentes à chamada geração Alpha — considera o casamento importante, enquanto pouco mais de metade afirma querer ter filhos no futuro.
O estudo, realizado junto de cerca de 700 adolescentes, traça o retrato de uma geração que privilegia a independência financeira, redes de amizade próximas e a compra de casa em detrimento das metas familiares clássicas.
Segundo os dados do inquérito, apenas 51% dos jovens inquiridos afirmam que casar é importante para si. Trata-se de um valor que confirma uma tendência de declínio verificada nas últimas décadas.
Campanhas e associações têm vindo a alertar para uma quebra acentuada na proporção de jovens casais que optam pelo matrimónio, com uma descida de quase um terço desde a década de 1960. As projeções indicam que menos de seis em cada dez pessoas nascidas entre 1997 e 2012 deverão casar ao longo da vida.
As estimativas apontam para que 58% das mulheres e 56% dos homens da chamada geração Z venham a casar. Em comparação, os valores são substancialmente mais elevados nas gerações anteriores: até 67% entre os Millennials (nascidos entre 1981 e 1996), até 82% na geração X (1965-1980) e até 96% entre os Baby Boomers (1946-1964).
Estas projeções foram avançadas pela Marriage Foundation, organização criada “em resposta aos níveis epidémicos de desagregação familiar”. A instituição tem advertido que “a tendência de afastamento do casamento tem consequências profundas para a estabilidade e para os resultados das crianças”. A mesma entidade sublinha ainda que “já temos o nível mais elevado de desagregação familiar na história registada do Reino Unido” e que “quase metade de todos os adolescentes não vive com ambos os pais biológicos”.
Menos filhos e receios demográficos
O desejo de parentalidade também revela sinais de enfraquecimento. Apenas 56% dos adolescentes da geração Alpha afirmam querer ter filhos, numa altura em que cresce o número de jovens no Reino Unido que declaram não pretender ser pais.
Especialistas têm vindo a alertar para as implicações económicas de uma taxa de natalidade em queda. No início deste ano, estatísticos anteciparam que o Reino Unido poderá estar prestes a assistir, pela primeira vez, a um número de mortes superior ao de nascimentos.
Gregory Thwaites, da Resolution Foundation, admitiu que 2026 poderá marcar o início de um “novo normal” em que as mortes ultrapassam os nascimentos. Segundo explicou, a manutenção desta tendência poderá representar desafios significativos para as finanças públicas, já que uma população ativa mais reduzida terá de sustentar um número crescente de idosos.
“Já estamos a caminhar para uma situação em que o Governo está, em grande medida, a financiar as pessoas mais velhas, e a despesa com a população em idade ativa ou com crianças está a concentrar-se numa fração mais pequena dessas populações”, afirmou.
Independência financeira acima de tudo
Apesar da menor valorização do casamento e da parentalidade, os adolescentes demonstram ter objetivos claros para o futuro. O inquérito revela que muitos colocam como prioridade alcançar independência financeira, construir uma rede sólida de amigos próximos e adquirir habitação própria.
Ainda assim, apenas metade dos jovens inquiridos afirma sentir-se preparada para a vida adulta.
John Allan, responsável pela área de impacto e aprendizagem transformadora da PGL Beyond, considera que existe uma dualidade entre ambição e preparação. “A geração Alpha, muitos dos quais estão agora a aproximar-se da idade adulta, tem uma visão clara do que quer para o seu futuro”, afirmou. No entanto, acrescentou, “a nossa investigação mostra que muitos ainda não se sentem preparados para o que vem a seguir, particularmente no que diz respeito à confiança, independência e competências práticas necessárias para enfrentar a vida após a educação”.



