Metadados: Fim de acesso durante um ano dificulta trabalho da PJ, alerta diretor nacional

Luís Neves considera ser necessário existir um “equilíbrio” entre o combate à criminalidade e a privacidade dos cidadãos

Executive Digest com Lusa

O diretor da Polícia Judiciária (PJ) reconheceu hoje que um fim do acesso aos metadados durante um ano vai dificultar as investigações, considerando necessário existir um “equilíbrio” entre o combate à criminalidade e a privacidade dos cidadãos.

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“Claro que sim. Claro que dificulta o trabalho de todos, mas essa é uma decisão que vem do Tribunal de Justiça da União Europeia. Há vários países com essa problemática, mas esse é um debate que terá de ser feito no futuro”, afirmou Luís Neves, quando questionado sobre um fim da disponibilização dos metadados durante um ano.

O diretor da PJ falava aos jornalistas em Ponta Delgada, nos Açores, à margem de uma conferência sobre novas substâncias psicoativas, no dia seguinte ao Governo ter aprovado uma proposta de lei que regula o acesso a metadados referentes a comunicações eletrónicas.

Na apresentação da proposta de lei, a ministra da Justiça afirmou que não vai ser criada “uma base de dados específica, em que se guardam os dados por um ano”, mas ressalvou que o diploma não vai conter um prazo específico para a conservação de dados, remetendo antes para a lei geral sobre tratamento de dados, que é de seis meses na atividade comercial.

Hoje, Luís Neves considerou necessário encontrar um “equilíbrio” entre a “investigação criminal” e a “redução à criminalidade mais gravosa” e a “defesa da reserva da vida privada e a proteção dos dados”.

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“Isso terá de ser repensado na Europa para encontrarmos outros mecanismos que até agora, por essa decisão do Tribunal Justiça da União Europeia ou pelas decisões que têm vindo a ser apresentadas, coarta um pouco o equilíbrio entre a repressão criminal e a atividade das organizações criminosas”, declarou.

Luís Neves disse que a PJ se reuniu internamente após a decisão do Tribunal Constitucional (TC) para, “com os instrumentos à disposição”, continuar a “fazer o trabalho” que lhe compete.

O diretor nacional lembrou ainda que a PJ fez parte do grupo de trabalho que colaborou com o ministério da Justiça na elaboração do projeto de lei.

“Naturalmente, o caminho vai ter de ser feito e vamos ter todos, nesse momento transitório – esperemos que seja transitório – encontrar formas de fazer o nosso trabalho”, assinalou.

Na quinta-feira, a ministra da Justiça considerou que se “deu um passo em frente” com a proposta de lei sobre os metadados hoje aprovada em Conselho de Ministros, a qual permite cumprir a decisão do TC.

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Falando aos jornalistas no final da reunião do Conselho de Ministros, Catarina Sarmento e Castro salientou que havia que cumprir a decisão do TC e que não se podia “interferir naquilo que ficou resolvido” com o acórdão deste tribunal superior, que declarou inconstitucionais normas da Lei n.º 32/2008 sobre a utilização dos metadados pela investigação criminal.

O TC declarou inconstitucionais as normas da chamada lei dos metadados, que determina a conservação dos dados de tráfego e localização das comunicações pelo período de um ano, visando a sua eventual utilização na investigação criminal.

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