Mercados nos EUA sustêm a respiração: vem aí a maior queda de lucros dos últimos 60 anos?

Entre os 11 setores do S&P 500, as maiores quedas no segundo trimestre, deverão ser protagonizadas pela energia, consumo e indústrias.

Sónia Bexiga

Os maiores bancos norte-americanos estão a horas de revelar as suas contas do segundo trimestre, abrindo assim as ‘hostilidades’ em mais ronda de resultados financeiros que, cumprindo-se o vaticínio de alguns analistas, pode trazer à luz do dia, a maior queda de lucros desde a crise financeira desde a década de 60.

Os analistas, consultados pela ‘Reuters’ esperam que as empresas do S&P 500 registem uma queda de 44,1% nos lucros no segundo trimestre, o período em que a pandemia do novo coronavírus terá causado um maior impacto nas empresas.

Recordando que o lucro caiu 12,8% no primeiro trimestre, o IBES do Refinitiv antevê que o segundo trimestre seja o ponto mais baixo para lucros este ano. E a confirmar-se será a segunda maior queda trimestral de ganhos com base nos dados do IBES desde 1968, atrás apenas da queda de 67% no quarto trimestre de 2008, altura em que os bancos e outros grandes credores atingiram o auge da crise das hipotecas ‘subprime’.

Entre os 11 setores do S&P 500, as maiores quedas no segundo trimestre, deverão ser protagonizadas pela energia, consumo e indústrias, enquanto as empresas de serviços públicos e tecnologia, no extremo oposto, devem sofrer apenas descidas ligeiras nos lucros do segundo trimestre.

A corroborar este cenário, Willie Delwiche, especialista em investimentos da Baird, em Milwaukee, afirma que “é amplamente assumido neste momento que os lucros no segundo trimestre serão um desastre” e Nicholas Colas, co-fundador da DataTrek Research, veio sublinhar ainda que as expectativas de lucro podem ser muito baixas se o Congresso aprovar mais estímulos económicos este mês.

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Ainda assim, alguns investidores podem decidir dar ‘o benefício da dúvida’ a algumas empresas nesta temporada de lucros, defende Sam Stovall, analista-chefe de investimentos da CFRA Research em Nova Iorque, apontando o caso da FedEx, cujas ações saltaram na semana passada após lucro e receita trimestral acima do esperado.

E ainda que as previsões para o segundo trimestre sejam tão pessimistas, para o terceiro e quarto trimestre ainda configuram um quadro complicado. Os analistas antevêem uma queda de 24,7% em relação ao ano anterior no terceiro trimestre e uma queda de 13,1% no quarto, enquanto os lucros no primeiro trimestre de 2021 devem aumentar 12,1%, com base nos dados da Refinitiv.

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