Mercados estão a recuperar? Dólar regista ganhos e ações europeias continuam a subir

O dólar norte-americano está a registar ganhos modestos e a a maioria das ações europeias continuou a subir esta sexta-feira. Os mercados estão a ser impactados por uma ameaça de custos de empréstimos mais altos, desaceleração económica e tensões geopolíticas crescentes, mas estarão a recuperar?

 

FOREX

Ricardo Evangelista, diretor executivo da ActivTrades Europe S.A, sublinha que o dólar norte-americano está a registar ganhos modestos em relação a outras moedas importantes, num dia que promete oferecer novas pistas importantes para os investidores. A divulgação dos dados de empregos nos EUA ainda hoje é vista como um momento-chave. Tanto pode oferecer uma justificação para o esforço contínuo da FED de controlar a inflação através de aumentos agressivos das taxas, quanto pode destacar o lado negativo da política. Os analistas esperam que o número de novos empregos criados em julho nos EUA seja na ordem de 250.000, o que, se confirmado, representa uma queda no ritmo de criação de empregos. Se os números reais dececionarem, revelando uma queda ainda mais pronunciada no ritmo de criação de empregos do que o esperado, as probabilidades de uma mudança dovish pela Fed aumentarão, criando espaço para a fraqueza do dólar.

 

AÇÕES EUROPEIAS

Pierre Veyret, analista técnico da ActivTrades, destaca que a maioria das ações europeias continuou a subir esta sexta-feira, seguindo a tendência asiática, enquanto os futuros dos EUA também apontam para uma abertura mais firme antes da última sessão de negociação da semana. Os lucros corporativos, especialmente do setor de tecnologia, continuam a apoiar o sentimento do mercado e o apetite por ativos mais arriscados em agosto, à medida que os investidores aproveitam a ocasião trazida pelos preços das ações mais baratos, após a liquidação deste ano, para aumentar sua exposição a esses mercados. Mesmo que este sentimento de alívio continue, a atual subida das ações não deve levar os preços a novos recordes. O ambiente geral do mercado, ainda sob a ameaça de custos de empréstimos mais altos, desaceleração económica e tensões geopolíticas crescentes, permanece em baixa para as ações. A atenção dos investidores provavelmente permanecerá nos dados macro de hoje com os dados do Non-Farm Payrolls dos EUA para julho, onde uma queda de 372 mil para 250 mil empregos criados é amplamente esperada.

 

WALL STREET

Volatilidade domina depois do ataque dos touros

Depois da forte subida de quarta-feira o cenário em Wall Street na sessão de quinta-feira foi bem menos definido, com oscilações que não obstante não terem tido grande dimensão na sua intensidade, mas revelaram que ocorreu uma luta entre touros e ursos que deixou os índices norte-americanos com sortes distintas no final do dia, pertencendo ao Nasdaq a valorização, enquanto que o Dow Jones ficou com a fava cedendo mais terreno que o S&P500, que como de costume ficou entre os outros dois índices que são menos abrangentes no tipo de negócios que representam, o que lhes dá a característica de liderança, seja nas perdas como nos ganhos, ao passo que o S&P500 é mais abrangente e como tal mais estável, explica Marco Silva, consultor da ActivTrades

A discrepância de comportamentos revela falta de domínio de uma das partes, deixando a volatilidade no comando do leme, na véspera de serem conhecidos os non-farm payrolls relativos aos mês de Julho, que têm potencial para causar uma disrupção no sentimento de mercado e lançar Wall Street para uma nova onda relevante. Será deveras interessante constatar como irão reagir os investidores à qualidade dos números sobre a frente laboral, sendo que como tem ocorrido um dado menos positivo pode resultar num forte impulso ascendente, dado que o mercado pensará que o FED não terá razões para ser tão agressivo na normalização da política monetária.

Seja qual forem os dados indicados, é quase certo que a volatilidade se irá manter elevada, sendo por isso aconselhável cautela com posições alavancadas perto da hora do anúncio, ou seja 13h30m, hora de Lisboa.

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