Mercado de luxo na China regista o seu primeiro recuo em cinco anos

As vendas de artigos de luxo de uso pessoal na China caíram 10% face a 2022, encerrando um ciclo ininterrupto de cinco anos de crescimento exponencial. No entanto, espera-se que as condições voltem a ser positivas antes do final do primeiro trimestre de 2023.

André Manuel Mendes

As vendas de artigos de luxo de uso pessoal na China caíram 10% face a 2022, encerrando um ciclo ininterrupto de cinco anos de crescimento exponencial. No entanto, espera-se que as condições voltem a ser positivas antes do final do primeiro trimestre de 2023.

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O novo relatório ‘Setting a New Pace for Personal Luxury Growth in China’ da Bain & Company mostra que, apesar de 2022 ter começado em força, os confinamentos relacionados com a Covid-19 no país a partir do segundo trimestre afetaram as compras.

Os dados mostram que todas as categorias de luxo foram afetadas sendo que as categorias com maior presença na Internet foram as menos afetadas e as que se saíram. Por exemplo, a categoria de produtos de beleza do segmento de luxo, com uns 50% de penetração online, contraiu apenas 6%.

O setor que verificou uma queda mais acentuada foi o da relojoaria, com um decréscimo nas vendas de 20 a 25% face a 2021. As categorias de moda e lifestyle sofreram uma descida de 15 a 20%. As joias e a marroquinaria tiveram melhor desempenho, com uma contração de 10 a 15%.

“Embora a maioria das marcas tenha registado quedas em 2022, algumas permaneceram estáveis ou cresceram apesar das condições desafiantes. Houve três fatores a contribuir para o seu sucesso: em primeiro lugar, as grandes marcas superaram em média as menores; em segundo, as marcas com carteiras de produtos emblemáticos superaram aquelas com produtos da moda ou sazonais e, por último, as marcas com maior concentração de clientes muito importantes tiveram melhor desempenho”, afirmou Bruno Lannes, partner sénior da Bain & Company em Xangai.

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De acordo com o relatório, existem três tendências principais que podem influenciar a recuperação do mercado de luxo: A expansão de clientes muito importantes, que tiveram um grande peso nas vendas em 2022; aumento do ecossistema duty-free que contribuiu para o auge do mercado de luxo na China; e ainda a criação de uma estratégia global de preços.

Apesar deste cenário, a Bain & Company espera que o crescimento seja retomado em 2023, à medida que a China recupera da crise da Covid-19.

“O consumo de luxo vai recuperar à medida que amainar a crise da Covid-19, melhorar a afluência aos centros comerciais e recuperar a confiança dos consumidores. Esperamos ver os níveis de vendas de 2021 em algum momento entre a primeira e a segunda metade de 2023”, estimou Weiwei Xing, partner da Bain & Company em Hong Kong, acrescentando que “embora haja muito otimismo, também há riscos”.

 

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