Mentor: todos devemos ter um!

Por Ana Côrte-Real, Diretora MBA Executivo, Católica Porto Business School 

Não é uma questão de idade ou de experiência. Não é uma questão da função profissional. Não é uma questão de estatuto ou de cargo. É, sim, uma questão de busca permanente do desenvolvimento pessoal e profissional que favorecerá o bem-estar e o sentimento de harmonia.

Em relação a esta questão, como tantas outras, a história ajuda-nos a compreender melhor o seu alcance.

Olhemos para a origem da palavra “Mentor”: Mentor vem do romance Odisseia, do poeta grego, Homero. Ulisses preocupado com o facto de não poder preparar o seu filho para ser rei, fruto das suas repetidas ausências, contrata um amigo de confiança, chamado “Mentor” para ser tutor do seu filho.

Um processo de mentoring, de facto, não é mais do que um percurso em que uma pessoa que possui conhecimentos, uma rede de contactos interessante e um percurso pessoal e profissional relevante decide partilhar as suas experiências de forma estruturada e consistente com o objetivo de potenciar o desenvolvimento pessoal e profissional do mentee.

Para se ser mentor há um princípio base fundamental: ser-se generoso. Para quê? Para partilhar o seu conhecimento, as suas experiências, positivas e negativas, para “dar” o seu tempo e o seu saber.

Um mentor tem que estar genuinamente interessado em fazer uma parceria com o seu mentee, em desafiá-lo, em fazê-lo crescer.

Mas se um traço essencial do mentor é ser generoso, um traço fundamental do mentee é ser humilde. Humilde e grato. Um mentee tem que estar profundamente empenhado em aprender, em ouvir. Tem quer ter uma atitude permanente de trabalho, de escuta ativa, de vontade de fazer mais e melhor. Tem que ser transparente, sincero e flexível. Tem que saber receber feedback, positivo ou negativo e agradecer. Tem de querer, efetivamente, fazer um caminho de transformação.

Vou, agora, fazer uma partilha mais pessoal: quando iniciei este caminho do coaching e do mentoring, de forma mais orientada e com base em formação, percebi que ao longo da minha vida sempre tive mentores ao meu lado. Não sei se será correto denominá-los desta forma, mas na verdade percebi que tive, tenho, mentores informais. Não seguimos um programa de mentoring estruturado, mas há anos que estes Mentores acompanham o meu caminho. Quando pensei nas caraterísticas que têm é fácil identificar os traços comuns entre eles: generosidade para me darem o seu tempo, experiência relevante para o meu percurso, energia e alegria ao testemunharem os seus percursos, vontade de me desafiarem e, o mais importante, são Pessoas que genuinamente desejam o meu bem. E como sei que Eles sabem quem são, o meu muito OBRIGADA. Sou, de facto, uma privilegiada.

Mas o meu testemunho não fica por aqui. Na verdade, ainda que com este enorme privilégio de ter os mentores informais há algum tempo optei por iniciar um programa de mentoring, um programa formal. E não podia ter tido melhor decisão. O que eu já “cresci”, as diferentes perspetivas que já ganhei sobre os mesmos assuntos, a rapidez com que tomei determinadas decisões que tinham tudo para se arrastarem no tempo, o reforço de segurança e de autoconfiança que tenho conseguido. E não menos importante: o que o Mentor já me fez rir de mim mesma! Um muito OBRIGADA, também, ao meu mentor.

Chegados aqui gostaria de reforçar que: não é porque somos mentores que não podemos ser mentees; não é porque somos mais velhos e mais experientes que não podemos ter mentores e mentores até mais novos (mentoring reversivo); não é porque somos líderes que seremos bons mentores; não é porque não fazemos programas de mentoring que não temos mentores connosco.

Mas é porque somos pessoas curiosas, com vontade de crescer, pessoal e profissionalmente, porque gostamos genuinamente de estabelecer parcerias que devemos ter Mentores.

Diz um provérbio africano: «Se quiseres ir depressa, vai sozinho; se quiseres ir longe, vai acompanhado».

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