Em setembro último, o Departamento de Polícia de Uvalde, no Texas (EUA), recebeu uma chamada dramática: Regina Ann Santos-Aviles, de 35 anos, mãe de um menino de oito, tinha-se regado com gasolina no quintal de casa e ateado fogo ao próprio corpo. Ainda foi transportada com vida para o hospital, mas acabaria por morrer 24 horas depois, na sequência das queimaduras. O caso, noticiado pelo ‘El Español’, ganhou nova dimensão política nos últimos dias.
Regina trabalhava como assistente de Tony Gonzales, congressista republicano do Texas e aliado próximo de Donald Trump no estado. Segundo o ‘El Español’, era um segredo aberto nos círculos políticos locais que ambos mantinham uma relação extraconjugal e que o marido de Regina teria descoberto a traição pouco antes da sua morte. Gonzales, casado e pai de seis filhos, nega qualquer infidelidade.
Nos últimos dias, surgiram testemunhos que agravam o caso. De acordo com relatos citados pela publicação espanhola, o congressista terá enviado mensagens de teor sexual explícito à assistente desde maio de 2024, pressionando-a durante a madrugada. Quando Regina terá tentado terminar a relação e ponderado torná-la pública, alegadamente passou a ser marginalizada profissionalmente. Um ex-membro da equipa descreveu que a funcionária passou de elemento central do gabinete a figura praticamente invisível.
O viúvo, Adrian Aviles, entregou a vários meios de comunicação mensagens que diz ter encontrado no telemóvel da mulher. Nelas, Gonzales insistiria no envio de “fotos sensuais” e faria perguntas de cariz íntimo. Numa das respostas, Regina terá escrito: “Isso é ir longe demais, chefe.” O marido afirma que, após confrontar o congressista e revelar que estava em processo de separação, a situação profissional da mulher se deteriorou, acompanhada por um agravamento do seu estado emocional.
O escândalo provocou pedidos de demissão vindos não apenas da oposição democrata, mas também de figuras republicanas próximas do chamado “trumpismo”, como Lauren Boebert, Anna Paulina Luna e Nancy Mace, bem como de Thomas Massie, crítico habitual de Trump.
Gonzales recusa abandonar o cargo. Alega ser alvo de chantagem por parte do viúvo, em coordenação com adversários internos que enfrentará nas primárias republicanas de 3 de março. Argumenta ainda que a sua saída poderia comprometer a curta maioria republicana na Câmara dos Representantes, atualmente fixada em 217 lugares contra 214 dos democratas.
O caso assume particular relevância num contexto eleitoral sensível. O Texas é um dos estados onde os democratas procuram ganhar terreno nas eleições intercalares de novembro. Um dos nomes em ascensão é James Tallarico, cuja recente entrevista televisiva se tornou viral nas redes sociais.
Entretanto, o Gabinete de Conduta do Congresso abriu uma investigação ética independente para apurar responsabilidades. As primárias aproximam-se com Brandon Herrera novamente no encalço de Gonzales — há dois anos, separaram-nos apenas 400 votos







