Mensagens obscenas e morte trágica: o caso que ameaça um congressista republicano aliado de Trump

Escândalo provocou pedidos de demissão vindos não apenas da oposição democrata, mas também de figuras republicanas próximas do chamado “trumpismo”, como Lauren Boebert, Anna Paulina Luna e Nancy Mace, bem como de Thomas Massie, crítico habitual de Trump

Francisco Laranjeira
Março 3, 2026
14:19

Em setembro último, o Departamento de Polícia de Uvalde, no Texas (EUA), recebeu uma chamada dramática: Regina Ann Santos-Aviles, de 35 anos, mãe de um menino de oito, tinha-se regado com gasolina no quintal de casa e ateado fogo ao próprio corpo. Ainda foi transportada com vida para o hospital, mas acabaria por morrer 24 horas depois, na sequência das queimaduras. O caso, noticiado pelo ‘El Español’, ganhou nova dimensão política nos últimos dias.

Regina trabalhava como assistente de Tony Gonzales, congressista republicano do Texas e aliado próximo de Donald Trump no estado. Segundo o ‘El Español’, era um segredo aberto nos círculos políticos locais que ambos mantinham uma relação extraconjugal e que o marido de Regina teria descoberto a traição pouco antes da sua morte. Gonzales, casado e pai de seis filhos, nega qualquer infidelidade.



Nos últimos dias, surgiram testemunhos que agravam o caso. De acordo com relatos citados pela publicação espanhola, o congressista terá enviado mensagens de teor sexual explícito à assistente desde maio de 2024, pressionando-a durante a madrugada. Quando Regina terá tentado terminar a relação e ponderado torná-la pública, alegadamente passou a ser marginalizada profissionalmente. Um ex-membro da equipa descreveu que a funcionária passou de elemento central do gabinete a figura praticamente invisível.

O viúvo, Adrian Aviles, entregou a vários meios de comunicação mensagens que diz ter encontrado no telemóvel da mulher. Nelas, Gonzales insistiria no envio de “fotos sensuais” e faria perguntas de cariz íntimo. Numa das respostas, Regina terá escrito: “Isso é ir longe demais, chefe.” O marido afirma que, após confrontar o congressista e revelar que estava em processo de separação, a situação profissional da mulher se deteriorou, acompanhada por um agravamento do seu estado emocional.

O escândalo provocou pedidos de demissão vindos não apenas da oposição democrata, mas também de figuras republicanas próximas do chamado “trumpismo”, como Lauren Boebert, Anna Paulina Luna e Nancy Mace, bem como de Thomas Massie, crítico habitual de Trump.

Gonzales recusa abandonar o cargo. Alega ser alvo de chantagem por parte do viúvo, em coordenação com adversários internos que enfrentará nas primárias republicanas de 3 de março. Argumenta ainda que a sua saída poderia comprometer a curta maioria republicana na Câmara dos Representantes, atualmente fixada em 217 lugares contra 214 dos democratas.

O caso assume particular relevância num contexto eleitoral sensível. O Texas é um dos estados onde os democratas procuram ganhar terreno nas eleições intercalares de novembro. Um dos nomes em ascensão é James Tallarico, cuja recente entrevista televisiva se tornou viral nas redes sociais.

Entretanto, o Gabinete de Conduta do Congresso abriu uma investigação ética independente para apurar responsabilidades. As primárias aproximam-se com Brandon Herrera novamente no encalço de Gonzales — há dois anos, separaram-nos apenas 400 votos

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