Um estudo conduzido pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, volta a colocar a dieta vegan no centro do debate científico, ao sugerir que uma alimentação totalmente à base de plantas pode estar associada a uma redução significativa da idade biológica. A investigação comparou os efeitos de uma dieta vegan rigorosa com uma alimentação omnívora considerada saudável, recorrendo a uma metodologia desenhada para reduzir ao máximo a influência genética.
O ensaio envolveu 21 pares de gémeos idênticos, uma escolha que permitiu isolar o impacto da alimentação no processo de envelhecimento. Em cada par, um dos participantes seguiu uma dieta omnívora equilibrada, enquanto o outro adotou uma dieta exclusivamente vegan, durante o mesmo período, de acordo com o ‘El Economista’.
Uma diferença medida ao nível do DNA
Para avaliar os efeitos da dieta, os investigadores recorreram a relógios epigenéticos, ferramentas algorítmicas que analisam padrões de metilação do ADN associados à ativação e desativação de genes. Estes marcadores permitem estimar a chamada idade biológica, um indicador distinto da idade cronológica.
Os resultados surpreenderam a equipa científica. Os participantes que seguiram a dieta vegan apresentaram uma redução média de cerca de oito anos na idade biológica estimada. Esta diferença foi acompanhada por alterações relevantes em vias associadas à inflamação e ao metabolismo, com melhorias nos níveis de insulina em jejum e uma diminuição do colesterol LDL, conhecido como colesterol “mau”.
Segundo o ‘El Economista’, estas mudanças sugerem um impacto positivo da dieta vegan em vários indicadores metabólicos ligados ao envelhecimento e ao risco cardiovascular.
Resultados promissores, mas com reservas
Apesar dos dados encorajadores, os especialistas sublinham que os resultados devem ser interpretados com cautela. Um dos fatores determinantes é que os participantes do grupo vegan não só eliminaram produtos de origem animal, como também reduziram a ingestão calórica total, o que levou a uma perda de peso significativa.
Esta redução de peso pode, por si só, influenciar marcadores epigenéticos associados ao envelhecimento, tornando difícil atribuir os efeitos observados exclusivamente à composição da dieta. A perda de massa corporal e as alterações metabólicas decorrentes do défice calórico são reconhecidas como elementos capazes de “abrandar” o relógio biológico.
O papel do açúcar no envelhecimento
Outro aspeto destacado pelos investigadores prende-se com a redução do consumo de açúcar adicionado, um componente frequentemente menor em dietas totalmente à base de plantas. Estudos anteriores indicam que o açúcar é um dos fatores que mais contribui para o envelhecimento acelerado a nível celular.
De acordo com investigações citadas no mesmo contexto, a eliminação de apenas 10 gramas de açúcar adicionado por dia pode atrasar o relógio biológico em mais de dois meses. Este dado reforça a ideia de que parte dos benefícios observados pode resultar não apenas do veganismo em si, mas da exclusão de determinados ingredientes associados a dietas mais processadas.
Um contributo relevante para o debate alimentar
O estudo de Stanford não encerra a discussão sobre a dieta ideal para a longevidade, mas acrescenta novos dados a um debate cada vez mais sustentado pela ciência. Ao controlar o fator genético através de gémeos idênticos, a investigação oferece um olhar mais preciso sobre a forma como as escolhas alimentares podem influenciar o envelhecimento ao nível molecular.
Ainda assim, os investigadores defendem que são necessários estudos mais longos e diversificados para compreender plenamente os efeitos a longo prazo de uma dieta vegan na saúde global e na longevidade.














