Membros eleitos do CR da Lusa alertam para “perigos” da transformação do corpo redatorial

Os membros eleitos do Conselho de Redação da Lusa alertaram hoje que a transformação do corpo redatorial da agência prevista na proposta de Acordo de Empresa (AE) apresentada pela administração pode “colocar em perigo” o serviço público de notícias.

Executive Digest com Lusa

Os membros eleitos do Conselho de Redação da Lusa alertaram hoje que a transformação do corpo redatorial da agência prevista na proposta de Acordo de Empresa (AE) apresentada pela administração pode “colocar em perigo” o serviço público de notícias.

Em comunicado, os membros eleitos do Conselho de Redação (CR) manifestam “grande preocupação” com as questões relacionadas com a eventual criação das carreiras de “jornalista especializado” e de “técnico audiovisual e multimédia”, prevista na proposta de Acordo de Empresa (AE) divulgada no início de junho pelo Conselho de Administração (CA) da Lusa.

Segundo sustentam, “esta situação pode colocar em perigo o serviço público de notícias por pretender transformar – de forma errada – o corpo redatorial da agência Lusa”.

Neste sentido, pedem ao CA “que reconsidere a forma como encara os profissionais jornalistas e o corpo redatorial no seu todo, no sentido de se manter de forma séria, legal e competente o serviço público de notícias”.

Para os membros eleitos do CR, é “redundante a definição de ‘jornalista especializado’ como pró-ativo, criativo e ‘especialmente dotado para o acompanhamento de uma ou mais áreas temáticas do jornalismo empreendedor e bom concretizador'”.

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“Todos os jornalistas da Lusa, ao estarem integrados em editorias e, dentro de cada uma delas, sendo responsáveis por áreas são, por definição, ‘especializados'”, argumentam, afirmando, por isso, não entender “o alcance destas duas supostas carreiras nem a sua interpenetração na redação da Lusa”.

Os membros eleitos do CR salientam que os jornalistas da Lusa “já demonstraram, em inúmeras ocasiões, que têm elevados graus de iniciativa, criatividade e dominam várias áreas, em equipa ou isolados”, sendo que, “na medida em que todos exercem também funções nos piquetes de fins de semana, feriados ou dias festivos, são polivalentes por necessidade do serviço”.

Por outro lado, consideram “um erro” admitir a eventual criação da ‘carreira de técnico audiovisual e multimédia’ para trabalhadores sem carteira profissional de jornalista.

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“Apenas os jornalistas detentores da carteira profissional podem praticar atos jornalísticos, razão porque não se vislumbra a necessidade da sua integração na redação da Lusa, cuja missão é produzir notícias, mesmo quando se trabalham redes sociais ou fazem ‘podcasts'”, justificam.

Os membros eleitos do CR referem-se, em particular, às páginas 19, 20, 21 e 24 da proposta de AE, apontando como exemplo da preocupação manifestada as formulações das funções de jornalista e de jornalista especializado.

Nos termos da proposta de AE, “jornalista é o trabalhador que trata de forma efetiva e permanente materiais informativos (factos, acontecimentos, conhecimentos) com a finalidade da sua difusão: pesquisa, recolhe, trata, redige e edita a informação ou capta e edita sons e imagens segundo as características técnicas e deontológicas adequadas ao serviço noticioso da empresa”.

Já o “jornalista especializado é o trabalhador que trata de assuntos de interesse jornalístico denotando elevado grau de iniciativa e criatividade”, “assegura tarefas que exigem grande experiência, elevado grau de especialização e qualificação técnico-profissional” e é “especialmente dotado para o acompanhamento de uma ou mais áreas temáticas do jornalismo, empreendedor e bom concretizador”.

De acordo com o AE, tanto o jornalista como o ‘jornalista especializado’ podem exercer a atividade “independentemente do nível, do género de conteúdo ou do suporte técnico requerido, nomeadamente na edição de texto, fotografia, som, vídeo ou conteúdos mistos”.

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Os membros eleitos do CR referem ainda que a Direção de Informação da Lusa disse não ter sido consultada pelo CA sobre as questões editoriais constantes da proposta de AE, nomeadamente sobre a criação dos chamados “jornalistas especializados” ou dos trabalhadores da “carreira de técnico audiovisual e multimédia” a quem não é exigida carteira profissional.

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