Melinda Gates, co-presidente da Fundação Bill & Melinda Gates, que já doou mais de 45 mil milhões de dólares para ajudar no combate a vários problemas a nível mundial, inclusive na pesquisa de vacinação e no combate a diversas doenças, alerta para o facto de ser necessária uma maior preparação global para enfrentar a pandemia da Covid-19, numa entrevista dada ao ‘Business Insider’.
A responsável tem a «certeza absoluta» de que «esta não é uma pandemia que acontece uma vez num século», tal como foi o caso da gripe espanhola, adiantando que «vão existir mais como esta durante a nossa vida».
«Para nos prepararmos para um segundo surto de coronavírus no outono, ou mesmo para outra eventual pandemia, é necessária a realização de testes em massa», defende Melinda acrescentando que é igualmente importante uma «partilha voluntária de dados de pessoas, para que possamos identificar quem já foi testado e onde ocorreram esses testes, bem como quais os stocks de vacinas para que seja possível distribuí-las assim que encontrar sinais de um surto.
Melinda considera que é necessária uma vacina em «larga escala» para que o mundo regresse gradualmente «ao normal», apontando um prazo de cerca de 18 meses para que seja criada a componente. Ainda que admita ser possível não se encontrar nenhuma vacina contra a doença, a responsável acredita que tal é «altamente improvável», dados os avanços na ciência e tecnologia.
Relativamente ao aparecimento de cientistas e instituições que dizem estar a desenvolver a vacina, Melinda refere que «Estou a ver muitas coisas boas a aparecer, mas é um processo que deve seguir o seu curso completo, porque não podemos colocar algo no corpo de alguém que seja prejudicial».
«É necessário saber a quem é seguro administrar a vacina e em que quantidade. Sabemos que a COVID-19 está a afectar pessoas particularmente vulneráveis em termos de saúde, se tiverem diabetes, um problema cardíaco ou asma, tal pode ser prejudicial», afirma Melinda Gates.
No lançamento de uma potencial vacina, a responsável acredita que a mesma deve ser administrada em primeiro lugar aos profissionais de saúde, seguindo-se os grupos de alto risco e depois então uma distribuição de forma equitativa aos diferentes países e comunidades.
A vacina, segundo Melinda, deve também ter um custo muito baixo, com um fundo que permita cobrir toda a população. «O que os EUA estão a fazer agora, ao colocar os estados uns contra os outros na procura de suprimentos e ao permitir que os cidadãos mais ricos tenham um acesso prioritário aos testes, seria desastroso para a implementação da vacina», refere.




