Médio Oriente: Ordem dos Médicos preocupada com médicos portugueses detidos em flotilha por Israel

A Ordem dos Médicos condenou hoje a detenção de dois médicos portugueses pelas autoridades israelitas no âmbito da missão Global Sumud Flotilla e afirmou que continuará a acompanhar “com bastante preocupação” o caso.

Executive Digest com Lusa

A Ordem dos Médicos condenou hoje a detenção de dois médicos portugueses pelas autoridades israelitas no âmbito da missão Global Sumud Flotilla e afirmou que continuará a acompanhar “com bastante preocupação” o caso.


“Os médicos devem ser protegidos e respeitados em todas as circunstâncias. Nunca podem ser alvo de violência, intimidação ou qualquer forma de condicionamento, independentemente do contexto político ou militar”, afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, num comunicado.


A ordem profissional indicou que foi esta tarde informada da detenção dos médicos portugueses, Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, “após a interceção da embarcação em que seguiam [o navio “Tenaz”], em águas internacionais”.


“De imediato, o bastonário estabeleceu contactos com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, tendo sido informado que os dois médicos se encontram sob custódia das autoridades israelitas, devendo posteriormente ser repatriados para Portugal”, lê-se no documento.


A Ordem dos Médicos sublinhou ainda que “está a acompanhar em permanência a situação em articulação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e com o Ministério da Saúde, a quem solicitou a devida observância da legislação internacional, ao abrigo da Convenção de Genebra e das normas da Associação Médica Mundial, no sentido de acionar todos os mecanismos diplomáticos necessários ao regresso seguro dos dois cidadãos, assim como da garantia plena da integridade física e psicológica dos dois portugueses”.

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Reafirmando “o compromisso inabalável com a defesa da vida, da dignidade humana e da proteção dos médicos em todas as circunstâncias”, a ordem precisou que “continuará a acompanhar o caso com a máxima atenção, mantendo contacto permanente com as autoridades portuguesas”.


Além dos dois clínicos portugueses, várias dezenas de cidadãos espanhóis seguiam também na flotilha intercetada por Israel, tendo sido entre dez e 20 os detidos pelas autoridades israelitas, indicou o Governo espanhol.


O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, indicou que a flotilha tinha 54 embarcações, em que seguiam perto de 500 tripulantes e 45 seriam espanhóis, embora se trate de uma informação ainda não “totalmente verificada”.

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A interceção da flotilha e a detenção de tripulantes que iam nos barcos é “uma nova violação do direito internacional” por parte de Israel, disse o MNE espanhol.


Sejam desembarcados em Chipre ou levados para Israel, trata-se de uma atuação “inaceitável e uma detenção ilegal”, sublinhou.


O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou a interceção pelas forças israelitas de uma nova “flotilha para Gaza”, ao lago da costa de Chipre, acusando-a de ser uma iniciativa maliciosa por pretender quebrar o bloqueio que Israel diz impor “aos terroristas do [movimento islamita palestiniano] Hamas”.


O exército israelita afirmou que os participantes da flotilha serão “transferidos para um grande navio de carga”, que classificou como “navio-prisão”, e levados para o porto israelita de Ashdod.


Até agora, as autoridades israelitas não divulgaram o número de detidos nem de embarcações intercetadas.

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Mais de 50 embarcações partiram na semana passada do porto de Marmaris, na Turquia, naquela que os organizadores da Global Sumud Flotilla descreveram como a etapa final da viagem planeada até à costa da Faixa de Gaza.


A transmissão em direto da organização mostrou ativistas a bordo de várias embarcações a vestir coletes salva-vidas e a erguer as mãos antes da aproximação de uma embarcação com tropas israelitas.


Os militares, equipados com material tático, abordaram o navio, tendo a transmissão sido interrompida abruptamente. Muitas das embarcações encontram-se atualmente ao largo da costa de Chipre.


Outras imagens mostram forças israelitas em lanchas rápidas a aproximarem-se e a ordenarem aos ativistas que se deslocassem para a parte da frente da embarcação.


Pelo menos 17 barcos foram intercetados nas primeiras três horas da operação, segundo o sistema de monitorização da Global Sumud Flotilla.


Os organizadores indicaram que as embarcações foram intercetadas a 250 milhas náuticas (463 quilómetros) da costa de Gaza.


Israel mantém um bloqueio sobre a Faixa de Gaza desde que o grupo radical Hamas assumiu o controlo do território em 2007, um ano depois de vencer as eleições legislativas palestinianas.

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