A ONU pediu na terça-feira a Israel que respeite as ordens do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), após denúncias sobre a eliminação de provas em Gaza relacionadas com alegações de genocídio.
O apelo foi feito pelo porta-voz adjunto do secretário-geral da ONU, Farhan Haq, na sua conferência de imprensa diária, após ser questionado sobre um relatório do Observatório Euromediterrâneo de Direitos Humanos que afirma que Israel está a demolir e remover entulho de bairros e instalações civis.
“Todas as autoridades devem cumprir as decisões do Tribunal Internacional de Justiça”, declarou Haq.
O porta-voz insistiu na “preocupação” da organização com “as atividades levadas a cabo por Israel em Gaza” e garantiu que continuarão a fazer tudo o que for possível para que os habitantes daquele território “possam voltar à vida normal e que haja responsabilização pelo que ocorreu”.
Há dois anos, o TIJ emitiu uma ordem com seis medidas provisórias, entre as quais que Israel evite cometer atos que constituam uma violação da Convenção sobre o Genocídio.
Além disso, ordenou a preservação das provas relativas a possíveis violações da convenção e proibiu a sua destruição, exigindo ainda o acesso da população a ajuda humanitária básica.
O relatório do Observatório indica que as forças israelitas, juntamente com empresas civis, estão a realizar operações para remover detritos em zonas da Faixa de Gaza que estão sob seu controlo.
Segundo o relatório, há cerca de 400 máquinas a trabalhar na zona e, nas últimas semanas, foram observados cerca de 100 camiões a retirar entulho.
O porta-voz do secretário-geral da ONU denunciou também que Israel continua a avançar para a zona situada entre a “linha amarela” e a “linha laranja” da Faixa de Gaza – como são conhecidas duas áreas de demarcação interna estabelecidas após o acordo de cessar-fogo de outubro do ano passado.
“As tropas israelitas destruíram as tendas de quase uma dúzia de famílias que se refugiavam no pátio de uma escola e colocaram blocos de cimento nas instalações, o que representa uma nova expansão das áreas em que as autoridades israelitas impuseram restrições de acesso”, explicou o porta-voz.
Na Cisjordânia, há “mais de 80 escolas” que estão sujeitas a ordens de demolição ou medidas similares.














