Os três casos de agressões a médicos em menos de uma semana aumentaram a preocupação com o aumento das queixas de violência contra profissionais de saúde. E pedem medidas concretas, quer de prevenção como de punição: mais seguranças, câmaras de vigilância em espaços comuns e apoio psicológico, avança o “Diário de Notícias” (DN).
O mesmo jornal adianta que, só nos primeiros seis meses de 2019, foram registadas pela Direção-Geral da Saúde mais de 600 queixas por episódios de agressão, o que perfaz uma média de cem por mês. A classe mais afectada é a dos enfermeiros, seguida dos médicos. O assédio moral (57%), a violência verbal (13%) e a física são justificações mais apresentadas.
«Há muitos mais casos, mas os médicos têm medo de reportar, porque sabem que não vai haver uma punição [para o agressor] e têm medo de represálias», afirma ao “DN” Dalila Veiga, do Gabinete Nacional de Apoio ao Médico Vítima de Violência, organismo criado há menos de um ano pela Ordem dos Médicos na sequência do aumento das agressões.
Dalila Veiga sublinhou ainda que «são os médicos que dão a cara por muitos dos problemas que existem no sistema, como os tempos de espera elevados nas urgências ou até nos certificados de baixa médica, como aconteceu nesta mais recente agressão, e isso faz que sejam eles os alvos de agressões». Os doentes, acrescentou, «encontram nos médicos bodes expiatórios para o tempo que estão à espera».
Contactado pelo “DN”, o Ministério da Saúde garantiu estar a acompanhar a situação e a estudar medidas para proteger médicos, enfermeiros e assistentes operacionais, sem, no entanto, especificar quais. Porém, Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato dos Médicos (SIM), não tem dúvidas de que, «sendo um crime público, deveria ser o Ministério da Saúde e os seus gabinetes jurídicos a apoiar os médicos, o que não acontece. Podem ainda ser tomadas medidas em termos de organização, até da disposição das secretárias nos gabinetes, e dar formação aos profissionais sobre como gerirem conflitos. É preciso ser pró-activo e não esperar pela desgraça».














