A comunidade médica lamentou na quarta-feira «a abertura de mais um curso de Medicina em Portugal», que segundo dizem, vai «contra as principais recomendações» de saúde. A reacção consta de um comunicado, publicado no site da Ordem dos Médicos.
«A Plataforma para a Formação Médica, que engloba a Ordem dos Médicos (OM), o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (CEMP) e a Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), vem por este meio lamentar publicamente a abertura de mais um curso de Medicina em Portugal, contra as principais recomendações destas estruturas», começa por referir a nota.
Para os responsáveis o ensino médico português «tem vindo a ser sucessiva e constantemente ameaçado pela redução do financiamento do Ensino Superior», bem como pela «criação da figura do médico indiferenciado», o que constituiu uma «ameaça» para a «qualidade dos cuidados prestados no sistema de saúde nacional».
Por esse motivo, «a Plataforma não consegue compreender a elevada pressão política que foi efectuada à vista de todos». Os especialistas defendem que para «além da sobrecarga que estes alunos colocarão às instituições de saúde formadoras da região de Lisboa», será difícil reavaliar a acreditação dos mesmos, num ano lectivo que terá de ser «adaptado à grave situação de saúde pública que permanece».
«As três estruturas da plataforma reafirmam que não assumem qualquer posição ideológica no ensino público vs. privado, e que respeitam a autonomia da Agência para a Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES)», sublinham ressalvando contudo, que «as opções políticas que têm vindo a ser adoptadas ameaçam gravemente a qualidade da formação médica», bem como os «cuidados de saúde prestados».
O comunicado acrescenta ainda que «o aumento do número de alunos no ensino pré-graduado, sem um planeamento a longo prazo das necessidades do país no que concerne aos recursos humanos médicos, põe em causa o futuro do Serviço Nacional de Saúde e do seu estatuto como formador de excelência de médicos».



