O dermatologista Miguel Alpalhão, do Hospital de Santa Maria, terá de devolver 818.756,11 euros considerados indevidamente recebidos, após uma investigação da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), avança a ‘CNN Portugal’.
Em causa estão valores pagos no âmbito de cirurgias adicionais realizadas entre 2021 e 2025. No total, o médico faturou 901.851,17 euros por 511 procedimentos, mas a IGAS concluiu que a grande maioria desse montante não deveria ter sido paga.
O caso tornou-se público após uma investigação da ‘TVI’, em 2025, que revelou que o dermatologista chegou a ganhar cerca de 400 mil euros em apenas 10 sábados, num regime de produção adicional que levantou dúvidas dentro e fora do hospital.
A auditoria agora concluída aponta também responsabilidades ao nível das administrações hospitalares. A IGAS refere que os pagamentos indevidos foram autorizados por membros dos conselhos de administração entre 2021 e 2025, período que inclui a atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que liderou o hospital em 2023.
Segundo a ‘CNN Portugal’, nem a ministra nem o antigo presidente do conselho de administração, Daniel Ferro, responderam às questões colocadas. No entanto, Ferro já tinha admitido anteriormente não compreender os valores pagos, classificando-os como excessivos. Já Ana Paula Martins afirmou no Parlamento, em setembro de 2025, que, embora não fosse habitual, era possível atingir ganhos de 400 mil euros em 10 dias de trabalho adicional.
A atual administração do hospital, presidida por Carlos Martins, recusou comentar diretamente as conclusões da IGAS, mas garante que tomou medidas após a divulgação do caso. Desde 2024, foram reforçados os mecanismos de controlo da produção adicional e suspensas cirurgias neste regime após a investigação televisiva.
Devido à dimensão dos montantes envolvidos, o processo de devolução relativo a Miguel Alpalhão foi separado dos restantes profissionais de saúde. A IGAS assegura que irá acompanhar a reposição dos valores.
Apesar disso, o médico ainda não devolveu qualquer quantia. Em resposta à ‘CNN Portugal’, contesta a decisão e rejeita ter de restituir os valores, defendendo que o montante pago corresponde a trabalho efetivamente realizado e recusando devolver qualquer verba à Unidade Local de Saúde de Santa Maria.
O caso promete continuar a gerar polémica, numa altura em que levanta questões sobre controlo, transparência e responsabilidade na gestão do Serviço Nacional de Saúde.












