A Food and Drug Administration (FDA), o regulador do mercado farmacêutico norte-americano, aprovou um fármaco para a doença de parkinson desenvolvido pela farmacêutica portuguesa Bial, da família Portela.
A venda do medicamento Ongentys, o segundo desenvolvido pela Bial e que se destina a doentes com parkinson, deve arrancar ainda este ano nas farmácias dos Estados Unidos, que representava já o primeiro mercado em vendas de farmácias para a Bial, que facturou mais de 300 milhões de euros em 2019. O país contabilizada um milhão de pessoas que padecem da doença.
«Termos um segundo medicamento aprovado pelas autoridades regulamentares norte americanas é uma etapa muito relevante no reconhecimento do projecto de Investigação e Desenvolvimento da BIAL. Estamos muito motivados por poder, através do nosso parceiro nos EUA, a Neurocrine Biosciences, fazer chegar a todos os pacientes com Parkinson este nosso medicamento», afirma António Portela, CEO da Bial, em comunicado.
A comercialização da Opicapona nos Estados Unidos resulta do contrato de licenciamento exclusivo assinado pela Bial com a farmacêutica Neurocrine Biosciences, Inc, em Fevereiro de 2017, tendo em vista o desenvolvimento e comercialização deste medicamento para a doença de parkinson no mercado norte-americano.
Na altura, o grupo anunciou que esta parceria poderia chegar aos 145 milhões de dólares (cerca de 134 milhões de euros), com a Neurocrine Biosciences a fazer um pagamento inicial de 30 milhões de dólares (cerca de 27,7 milhões de euros) pela concessão da licença e suporte às actividades necessárias para garantir a aprovação da FDA. Agora, a norte-americana deverá fazer um pagamento adicional «pela percentagem das vendas como contrapartida da produção e fornecimento da opicapona que serão assegurados» pela Bial.
O fármaco já está à venda no Reino Unido, Alemanha, Espanha, Itália e Portugal, tendo sido aprovado pela autoridade regulamentar europeia em 2016. Mas a Bial espera que até ao final do próximo ano possa estar a ser vendido noutros países europeus, assim como no Japão e Coreia do Sul.
A farmacêutica, sediada em Trofa, refere que as exportações valem 75% do seu volume de negócios, sendo os seus medicamentos vendidos em mais de 50 países.
A Bial tem canalizado mais de 20% da sua facturação anual para I&D, que está centrada nas neurociências e no sistema cardiovascular, tendo já sintetizados mais de 15 mil novas moléculas. No ranking «The 2019 EU Industrial R&D Investment Scoreboard», com base em dados relativos a 2018, a Bial foi a segunda empresa portuguesa com maior investimento em I&D, com 54 milhões de euros, ocupando a 395ª posição das mil empresas europeias.














