Maurícias: habitantes usam cabelo para recolher petróleo derramado no mar

Os habitantes das Maurícias estão a utilizar pequenos tufos de cabelo humano, bem como folhas para tentar limpar o derramamento de petróleo de um navio japonês, atracado numa das suas praias do Oceano Índico, avança a agência ‘Reuiters’.

O MV Wakashio, propriedade da Nagashiki Shipping Company e operado pela Mitsui OSK Line, começou a derramar combustível nas águas turquesas das Maurícias na semana passada, depois de embater contra um recife de coral.

O país declarou estado de emergência e o ex-governante colonial francês enviou ajuda, para tentar minorar os impactos do sucedido. Segundo o grupo ambientalista ‘Greenpeace’, esta pode vir a tornar-se numa grande crise ecológica.

Romina Tello, fundadora da agência de ecoturismo ‘Mauritius Conscious’, passou o fim de semana a ajudar a limpar a lama negra dos oceanos. Segundo a responsável, a população local estava a construir redes, compostas com folhas de cana de açúcar, garrafas plásticas e cabelos que as pessoas cortavam voluntariamente, para que flutuassem no mar e limpassem o combustível.

«O cabelo absorve o petróleo, mas não a água», explicou Tello, citada pela ‘Reuters’. «Tem havido uma grande campanha em torno da ilha para conseguir que as pessoas doem o seu cabelo», acrescentou.

Vídeos online mostram voluntários a costurar folhas e cabelos em redes para que flutuem na superfície e absorvam o combustível, tornando depois possível sugá-lo através de mangueiras.

Centros de mergulho, pescadores e outros juntaram-se ao esforço de limpeza, com alguns a oferecer sandes, pousadas que oferecem alojamento gratuito para voluntários e cabeleireiros que oferecem descontos para aqueles que doam cabelo, segundo Tello.

O derramamento de petróleo ocorreu perto do Blue Bay Marine Park, conhecido pelos seus espectaculares corais e inúmeras espécies de peixes. «É realmente comovente, todos estão a fazer o que podem. Parte-nos o coração ver os danos causados», disse Tello.

Estima-se que pelo menos mil toneladas de óleo tenham sido derramadas, sendo que 500 toneladas já foram recuperadas.

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