Mau tempo. “Sem competência técnica para ministra”: gestão desastrosa de Maria Lúcia Amaral gera onda de críticas

Depressão Kristin provocou pelo menos dez mortos entre a noite de 27 e a madrugada de 28 de janeiro, levando o Governo a criar uma linha de apoio de 2,5 mil milhões de euros para apoiar as populações afetadas

Revista de Imprensa

A gestão da crise provocada pela depressão Kristin está a gerar uma onda de críticas à atuação da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, com fontes governamentais e sindicais a admitirem que a sua permanência no cargo poderá estar em risco.

Em causa, relatou a revista ‘Sábado‘, estão falhas de comunicação, dificuldades na coordenação política e uma resposta considerada tardia a uma das mais graves tempestades dos últimos anos, que atingiu sobretudo a zona Centro do país.



A depressão Kristin provocou pelo menos dez mortos entre a noite de 27 e a madrugada de 28 de janeiro, levando o Governo a criar uma linha de apoio de 2,5 mil milhões de euros para apoiar as populações afetadas. Ainda assim, a atuação da tutela da Administração Interna tem sido alvo de críticas crescentes, tanto dentro como fora do aparelho do Estado.

Fontes com conhecimento direto do percurso profissional da ministra apontam dificuldades na liderança e na gestão de equipas. Uma fonte da Provedoria da Justiça, onde Maria Lúcia Amaral exerceu funções antes de integrar o Governo, afirma que não a escolheria para chefiar um ministério com forte exposição à gestão de crises. O mesmo diagnóstico é partilhado por dirigentes sindicais da PSP, que classificam a situação política da ministra como “crítica”.

Nomeada por Luís Montenegro em junho de 2025 para substituir Margarida Blasco, Maria Lúcia Amaral assumiu uma das pastas mais sensíveis do Governo, responsável pela resposta a incêndios, cheias, apagões e outras situações de emergência. Um ex-ministro de Cavaco Silva considera que a escolha voltou a falhar, defendendo que o Ministério da Administração Interna exige competências técnicas, capacidade de comunicação e liderança política em cenários de crise, qualidades que não reconhece à atual titular da pasta. “O primeiro-ministro voltou a falhar na nomeação para a pasta da Administração Interna. Maria Lúcia Amaral é uma distinta jurista, sem competências técnicas para ministra; não tem capacidade de comunicação nem de gestão política de crise”, defendeu o ex-ministro.

A ausência inicial da ministra no terreno durante os primeiros dias após a tempestade agravou o desgaste político. Maria Lúcia Amaral só se deslocou às zonas afetadas dois dias depois, justificando a sua atuação com o trabalho “invisível” de recolha de informação, planeamento e coordenação. Declarações posteriores, nas quais admitiu não saber “o que falhou” na resposta das autoridades e falou numa “aprendizagem coletiva”, foram interpretadas como gafes de comunicação.

Falhas de coordenação e pressão parlamentar

Entretanto, outros membros do Governo assumiram maior protagonismo público na resposta à crise. Ministros como José Manuel Fernandes, Leitão Amaro e Maria da Graça Carvalho estiveram no terreno e nos meios de comunicação social, enquanto a ministra da Administração Interna foi progressivamente retirada da linha da frente.

Apesar de Leitão Amaro ter negado responsabilidades da ministra nas falhas da resposta, várias descoordenações operacionais foram reveladas. De acordo com o jornal ‘Expresso’, citado pela ‘Sábado’, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil elevou o estado de prontidão máxima a 27 de janeiro, mas a ativação plena dos níveis de resposta das Forças Armadas só ocorreu dias depois.

A situação foi ainda agravada pela ausência temporária do comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, que se encontrava no estrangeiro para formação com autorização da ANEPC, durante o período crítico do conjunto de tempestades que culminou na depressão Kristin.

No plano político, a pressão intensificou-se com a aprovação unânime, a 4 de fevereiro, da audição urgente da ministra da Administração Interna e do secretário de Estado da Proteção Civil no Parlamento. Os pedidos partiram do Chega e da Iniciativa Liberal, com a oposição a admitir que Maria Lúcia Amaral poderá perder as condições políticas para se manter no cargo.

Outros dossiês fragilizam a tutela

A crise provocada pela tempestade Kristin soma-se a outros problemas estruturais no ministério. Dirigentes sindicais da PSP acusam a ministra de falta de sensibilidade para as prioridades das forças de segurança, apontando como exemplo o atraso na concretização de um acordo salarial alcançado em julho de 2024. Persistem também dificuldades na contratação de novos operacionais e a perceção de que os problemas do setor continuam por resolver.

Segundo a revista semanal, este conjunto de fatores alimenta a convicção, em vários quadrantes políticos, de que uma remodelação governamental poderá ocorrer após o encerramento do dossiê Kristin, com a saída de Maria Lúcia Amaral a ser encarada como um cenário cada vez mais provável.

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