As seguradoras estimam que os prejuízos cobertos por contratos de seguro decorrentes do recente comboio de tempestades em Portugal vão ultrapassar os 500 milhões de euros. Até ao momento, já foram registados mais de 115 mil sinistros participados, com valores pagos e provisionados que ascendem a 360 milhões de euros.
Os dados resultam de um inquérito promovido pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS) junto das empresas associadas, na sequência das tempestades que atingiram o país entre 27 de janeiro e 13 de fevereiro. Até 16 de fevereiro, deram entrada nas seguradoras mais de 115 mil participações de sinistros cobertos por apólices, confirmando-se que a estimativa de danos indemnizáveis deverá superar os 500 milhões de euros.
Apesar de ainda serem esperadas novas participações e de o processo de apuramento de prejuízos continuar em curso, o montante agregado de danos já registado — entre valores pagos e provisionados — ultrapassa os 360 milhões de euros.
Mais de 80% dos sinistros encontram-se em fase adiantada de regularização ou já foram encerrados, o que significa que foram objeto de peritagem ou de avaliação simplificada por parte das seguradoras. Cerca de 20% já deram origem ao pagamento total ou parcial de indemnizações. No caso dos sinistros participados há mais de 15 dias, 88% estão em fase avançada ou concluídos e 29% já tiveram pagamentos efetuados.
Quanto à tipologia dos sinistros, destacam-se os seguros de habitação, com cerca de 90 mil participações, seguidos dos seguros de atividades comerciais e industriais, com 11 mil, e dos seguros automóvel, com 9 mil ocorrências.
Em termos de montantes, os valores pagos ou provisionados distribuem-se sobretudo pela reparação e recuperação de habitações, com 170 milhões de euros, recuperação de empresas e comércios, com 150 milhões de euros, e indemnizações no âmbito do seguro automóvel, que totalizam 24 milhões de euros.
O dia com maior número de participações foi 2 de fevereiro, com cerca de 11 mil sinistros comunicados às seguradoras. A média diária de participações situa-se nos 5.000 processos.
Os distritos mais afetados, em termos de prejuízos cobertos por seguro, são Leiria, com mais de 50 mil sinistros, seguido de Santarém, Lisboa e Coimbra, cada um com cerca de 12 a 13 mil ocorrências registadas.
A APS sublinha que os dados são ainda provisórios e que será feita nova atualização nos próximos dias. As seguradoras mantêm as medidas de agilização e simplificação adotadas desde o primeiro momento, bem como equipas reforçadas para a gestão dos processos.
A associação alerta ainda para o persistente défice de proteção através de seguro em Portugal, o que tende a prolongar os tempos de recuperação após eventos desta natureza. As empresas do setor defendem a criação de um sistema integrado e articulado entre o Estado e as seguradoras para reforçar a proteção em caso de catástrofes naturais.








