As lojas mais afetadas pelas recentes tempestades que assolaram Portugal foram, como seria expectável, as localizadas nos concelhos onde foi declarada situação de calamidade. Ainda assim, a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) garantiu à ‘Executive Digest’ que o impacto foi contido e que não se verificaram ruturas no abastecimento a nível nacional.
“De facto, as lojas mais fustigadas foram naturalmente aquelas localizadas nas zonas assoladas pelos fenómenos meteorológicos extremos”, reconheceu a associação. No entanto, sublinhou que, nas restantes lojas do país, os efeitos indiretos — resultantes da interdependência entre os vários elos da cadeia de abastecimento — foram geridos “com grande eficiência e capacidade de gestão”, de forma a não se refletirem nos consumidores.
A APED considera que conseguiu “prevenir a ocorrência de efeitos ou consequências noutras lojas do país”, graças às medidas de mitigação prontamente implementadas com base nos planos de contingência já existentes.
“Não antevemos ruturas na cadeia de abastecimento”, assegurou a associação. Até ao momento, a cadeia manteve-se em funcionamento “sem ruturas”, apesar de constrangimentos pontuais no transporte de mercadorias, provocados pelo bloqueio de algumas vias rodoviárias. Na região mais afetada, seis das 41 lojas encerraram apenas nos dois dias subsequentes à primeira tempestade.
Em várias lojas da região Centro, a operação continua dependente de geradores, devido às falhas generalizadas na rede elétrica. Neste contexto, a associação defende que a situação deve abrir um debate sobre a revisão do limite legal de abastecimento de combustível. “Atualmente, o limite fixa-se nos 500 litros, sendo insuficiente para garantir a autonomia em casos de falhas elétricas prolongadas e para assegurar a continuidade dos serviços essenciais, como o fornecimento e conservação de alimentos”, alerta.
Apesar da dimensão dos danos, a APED destaca a resposta do setor. “Mesmo sabendo que nem sempre é fácil ser bom juiz em causa própria, é impossível não reconhecer a notável capacidade de adaptação das empresas do setor”, referiu. A sucessão de tempestades, com particular gravidade na região Centro, exigiu reforço de equipas, recurso a rotas alternativas menos eficientes, funcionamento com geradores próprios e gestão de falhas de comunicações em várias lojas.
“Uma vez mais, ficou patente a resiliência e a competência do setor e dos seus colaboradores em gerir situações adversas e inesperadas”, sublinhou a associação. Ainda assim, um número significativo de equipamentos e estabelecimentos foi afetado, alguns de forma severa, necessitando agora de reparação.
De acordo com as últimas informações transmitidas pelo Ministério das Finanças, os prejuízos globais já ultrapassam os quatro mil milhões de euros. A APED admite que ainda não realizou um levantamento rigoroso dos danos específicos no setor da distribuição e afirma não ter conhecimento, até ao momento, do recurso a linhas de crédito por parte das empresas associadas.
Para a associação, a prioridade deve ser clara: “Acudir aos cidadãos e empresas em dificuldades.” Os apoios públicos devem centrar-se nesse desafio imediato, bem como no apoio a agricultores e produtores que viram as suas explorações dizimadas pelas intempéries. “Para esses, todos os apoios são bem-vindos para retomarem, tão depressa quanto possível, as suas atividades”, conclui.







