Mau tempo. Proteção Civil contabiliza 3.326 ocorrências de cheias e mobiliza mais de 11 mil operacionais. Há 250 pessoas deslocadas

Estas ocorrências “não têm a ver com a depressão Kristin”, salientou Mário Silvestre, comandante nacional da Proteção Civil

Francisco Laranjeira
Fevereiro 4, 2026
12:53

Mário Silvestre, comandante nacional da Proteção Civil, revelou esta quarta-feira que desde o passado dia 1, “até ao meio-dia desta quarta-feira, houve 3.326 ocorrências de cheias”, sendo que foram mobilizados para o efeito “11.444 operacionais e 4575 meios terrestres”.

Estas ocorrências “não têm a ver com a depressão Kristin”, salientou, lembrando que “já não temos ocorrências relevantes relativamente a essa depressão” – o responsável salientou ainda que a EDP informou que havia 90 mil clientes ainda afetados com a falta de rede elétrica.

No que diz respeito às populações deslocadas, “segundo dados da Segurança Social”, há “53 pessoas tanto no distrito de Santarém como no de Castelo Branco, e em Leiria 145 pessoas deslocadas. Há também 132 pessoas num lar cuja situação está a ser avaliada, em Coruche, se será necessário a evacuação devido à subida das águas do rio Sorraia”.

“Neste momento, temos duas zonas que estamos a acompanhar: Alcácer do Sal e uma pequena rotura num dique do rio Lis, na zona de Monte Real. Não há neste momento que indicie qualquer tipo de necessidade. Existe um trabalho fantástico feita pela APA na gestão da barragem, a situação na bacia do Tejo está perfeitamente controlada, apesar de ser um quadro bastante instável”, indicou.

Mário Silvestre defendeu então a decisão de ter ido a Bruxelas para formação durante a passagem do mau tempo em Portugal continental. “Nada fazia prever que houvesse a depressão Kristin que se veio a verificar. Fizemos uma avaliação do cenário e seria uma semana normal, com depressão, sistemas frontais, chuva, uma situação típica do inverno. Não havia no domingo absolutamente nada que indicasse que iríamos ter o fenómeno da madrugada de quarta-feira”, precisou. “Toda a estrutura operacional da ANEPC (Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil) esteve permanentemente a acompanhar a situação e eu estive com eles, apesar da distância.”

“O trabalho foi bem feito, coordenado comigo e com o presidente, nada deixou de ser feito por causa da minha ausência”, concluiu.

Recorde-se que o comandante nacional alertou esta terça-feira para a situação meteorológica “muito complexa” prevista para os próximos dias, que obrigou a elevar o estado de prontidão do dispositivo para o nível mais elevado.

“Com base neste quadro meteorológico, o país foi elevado todo para o estado de prontidão especial 4, o mais elevado dos níveis que temos, o que implica 100% da capacidade dos agentes de proteção civil disponível”, afirmou Mário Silvestre, em conferência de imprensa.

Face à situação meteorológica muito complexa que está prevista, o comandante nacional apelou às populações que tenham em atenção os fenómenos meteorológicos, como chuva e vento forte, agitação marítima com ondas que podem atingir os 11 metros, queda de neve e possibilidade de inundações.

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