Máscaras FFP2 mal utilizadas podem «criar mais lacunas» e ter «desempenho pior», adverte especialista

Com o surgimento das novas variantes mais contagiosas do coronavírus, alguns países europeus estão a considerar o uso de máscaras que oferecem uma maior proteção, como é o caso das FFP2. A Áustria, por exemplo, já tornou a sua utilização obrigatória em transportes públicos e estabelecimentos comerciais, enquanto outros governos estão a ponderar seguir os mesmos passos.

Em Portugal, a ministra da Saúde, Marta Temido, informou na semana passada que não há uma posição definida sobre o assunto por enquanto, sublinhando que o mais importante é garantir que todas as máscaras utilizadas são certificadas pelas autoridades competentes.

Se, por um lado, há especialistas que consideram que as pessoas devem usar máscaras que oferecem mais proteção, por outro lado, há também peritos que têm advertido que as FFP2 não têm qualquer utilidade se não forem usadas corretamente.

O professor José Luis Jiménez da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, especialista na transmissão de aerossóis, sublinha que se existirem lacunas entre o rosto e a máscara é muito fácil as partículas virais entrarem.

“Uma diferença de 2% da área da máscara deixa passar 50% do ar não filtrado”, adverte Jimenez, que salienta que o ajustamento “é um problema muito grande para a utilização de máscaras para a população em geral”. “Através de buracos que nos parecem pequenos passa metade do ar não filtrado”.

Neste sentido, o perito explica que nos hospitais e locais de trabalho onde as máscaras FFP2 são utilizadas para proteger contra ameaças tais como agentes patogénicos (como o SARS-CoV-2) ou pó de sílica, as pessoas sabem medir o ajuste ao rosto e utilizá-las corretamente, para que não haja uma ‘fuga’ de aerossóis (partículas finas) do novo coronavírus.

Por esta razão, Jiménez lamenta que “é difícil conseguir um bom ajuste destas máscaras, especialmente no nariz”. O especialista alertou ainda para um estudo realizado em Singapura que descobriu que apenas 13% das pessoas usavam as máscaras N95, semelhantes às FFP2, de forma adequada, apesar de terem sido instruídas antes.

“Por essa razão, hesito quando as pessoas sugerem N95  FFP2 para todos. Se forem mal utilizadas, devido à sua forma, podem criar mais lacunas e, no final, têm um desempenho pior. São necessárias campanhas de educação e sensibilização” para instruir as pessoas, concluiu.

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