Máscaras e medidas de prevenção têm de continuar até, pelo menos, 2024, alerta especialista

O especialista italiano refere que qualquer vacina atualmente em desenvolvimento, «a começar com a da Pfizer, não vai eliminar o vírus», apenas proteger da doença.

Simone Silva

Giuseppe Ramuzzi, médico italiano e diretor do Centro de Investigações Farmacológicas Mario Negri, em Milão, afirma, sem dúvidas, que a chegada de uma vacina contra a Covid-19 não vai eliminar o vírus e garante que a população vai ter de manter as medidas de prevenção pelo menos até 2024.

Numa entrevista ao ‘Corriere della Sera’ o especialista refere que qualquer vacina atualmente em desenvolvimento, «a começar com a da Pfizer, não vai eliminar o vírus», em vez disso «serão mais semelhantes às vacinas contra a gripe», ou seja «protegem-nos da doença, mas não a farão desaparecer», esclarece.

Com a chegada de uma vacina, segundo Ramuzzi, «grande parte da população será imunizada, mas apenas com a condição de que as medidas de prevenção atuais sejam mantidas. Máscara, distanciamento social, lavagem contínua das mãos. Atualmente, nenhuma vacina será por si só capaz de extinguir a pandemia», alerta.

Quando questionado sobre durante quanto tempo será necessário manter as mesmas regras, o especialista indica que «segundo um estudo da Nature, prevê-se que seja em 2024», mas adverte: «Cuidado, é melhor não se enganar. São muitas variáveis, muitas coisas impossíveis de prever».

No que diz respeito à imunidade da vacina, Ramuzzi explica que a vacinação vai contribuir para «promover a ação das chamadas células T, células brancas do sangue que desempenham um papel importante no combate ao vírus. Eu sei que este é um assunto controverso, mas é provável que alguns de nós já tenhamos uma imunidade pré-existente. As vacinas vão ajudar», afirma ao jornal.

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Para Ramuzzi a duração da imunidade deve variar «entre seis a oito meses», o que «significa que teremos que ser vacinados todos os anos, como acontece com a gripe. Não sabemos se apenas uma dose será necessária. É mais provável que sejam duas», indica.

«Depois, é verdade que não temos a certeza, mas estudos atuais indicam que será difícil contrair o vírus uma segunda vez, o que é algo que nos conforta. Para alem de que se funcionar num número razoável de pessoas, a imunidade será ainda mais duradoura», acrescenta Ramuzii.

Relativamente à prioridade de administração de uma vacina, o médico considera que «esta questão diz respeito ao aspeto ético, muito debatido. Para mim, a resposta parece lógica: para todos os profissionais de saúde e para as pessoas mais vulneráveis. Depois, continuar, dos maiores de 60 anos, até aos grupos de menor risco da população».

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Ramuzzi revela que «toda a gente quer uma rápida distribuição da vacina, mas ninguém sabe dizer como», afirma enumerando três «atores» com um papel importante nesta matéria: o mecanismo Co-Vax da Organização Mundial de Saúde (OMS), a Fundação Bill Gates e o Fórum Económico Mundial.

«De seguida temos os fabricantes, que também se encontram publicamente comprometidos em distribuí-la amplamente. Finalmente, os governos nacionais individuais, que devem concordar entre si», acrescenta o especialista.

 

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