Martinhal: o império das famílias em construção

Uma escola, um edifício de escritórios e apartamentos de luxo são os mais recentes investimentos de chitra e roman stern, que se apaixonaram por portugal em 2001 e decidiram fazer do país a sua casa e dar largas à veia de empreendedores

Abriu este ano lectivo uma nova escola internacional em Lisboa, mais precisamente na zona do Parque das Nações (onde foi a Universidade Independente). A escola tem como objectivo dar resposta às necessidades identificadas pelo casal Chitra e Roman Stern que, desde 2001, tem vindo a fazer uma série de investimentos no País – inicialmente sob a marca Martinhal e agora também como Elegant – e que tem percebido que há um deficit de escolas pensadas para outros que como eles escolheram viver em Portugal e aqui fazer crescer as suas famílias. «Não há escolas internacionais nesta parte da cidade. Tem de ser feito para Portugal e é lucrativo», assegura Roman Stern, CEO da empresa. E Chitra acrescenta: «É uma necessidade em Lisboa, mas a breve prazo também o será no Porto. Há muitos expatriados, investidores e pessoas do mundo das startups a deslocarem-se para aqui! Uma das questões que colocam tem a ver com as crianças abaixo dos 12 anos.»

No começo, a escola terá vagas abertas apenas até ao 5.º ano, crescendo no ano seguinte. «Nenhuma das escolas que contactámos quer abrir de uma só vez desde a infantil até ao 12.º ano. É muito arriscado», conta. Além disso, muitas das escolas que estão a contactar dizem-lhes que vão querer abrir mais do que uma escola. «Vamos ajudá-los. Assim que fizermos uma, entramos no ciclo. Sabemos que a procura existe.»

Mas esta não é a primeira aposta no Parque das Nações do casal que criou a marca Elegant Real Estate como promotor comercial. Um pouco mais perto do rio está a nascer o edifício de escritórios com 12 andares, que será a sede da seguradora Ageas em 2020, e o Martinhal Residences, um misto entre hotel e residências de luxo. Roman Stern conta que trabalharam com o arquitecto Eduardo Capinha Lopes. «Na parte central temos os serviços normais do Martinhal como piscina coberta, restaurantes e lobby. Depois temos alguns pisos com pequenos estúdios familiares (pensados para dormir) e nos pisos superiores temos apartamentos familiares com o objectivo de ser as casas perfeitas para pessoas que se mudam para Portugal e que procuram serviços e conveniência.»

O investimentos total dos três projectos que estão a nascer no Parque das Nações ronda os 150 milhões de euros (20 deles para a escola pois será reabilitado o edifício já existente que é Prémio Valmor). «Começámos a discutir a entrada no Parque das Nações em 2011. Levámos o projecto ao Millennium bcp e começámos as conversações em 2012», recorda Chitra. A fundadora e CMO lembra que são empreendedores e que desde que chegaram ao País já olharam para cerca de 200 projectos de investimento. «Até que se concretizem passam-se anos. Por isso temos de estar sempre a ver mais. Em cada projecto analisamos os pontos positivos e negativos, temos discussões ferozes. Não nos podemos dar ao luxo de perder. Temos de garantir cada projecto consegue sobreviver mesmo que num período de recessão», sublinha.

DECISÕES DE VIDA

A história do casal Chitra e Roman Stern em Portugal começa a escrever-se há quase duas décadas. «Em 2001, procurávamos oportunidades de negócio em diversas localizações. Eu tinha acabado o meu MBA na London Business School e tínhamos ambos deixado a PricewaterhouseCoopers. Tínhamos decidido enveredar pelo empreendedorismo. O Roman estivera à frente de um projecto de desenvolvimento de nove apartamentos de topo junto ao lago de Zurique. E se corresse bem teríamos o primeiro montante para um novo projecto. Ao mesmo tempo estava a ajudar a sua família que tem negócios na região de Cork, na Irlanda, com um pequeno hotel. Foi assim que entrámos na área imobiliária», recorda Chitra Stern. Começaram, então, a fazer prospecção de mercado como equipa de marido e mulher. «Queríamos desenvolver algo juntos.»

Nessa altura estiveram dois países em cima da mesa: Croácia e Portugal, Algarve para ser mais específico. Foram à Croácia sentir a atmosfera e no ano 2000 saíra da guerra há pouco tempo. «No Algarve havia detalhes que diferenciavam. Portugal estava na União Europeia já há 15 anos e, com praias de areia branca, era a Califórnia da Europa, do nosso ponto de vista. As pessoas eram amáveis, não extrovertidas, mas genuínas. Além de se falar inglês um pouco por todo o lado, ao contrário do que tínhamos encontrado em outros locais. Havia infra-estruturas a ser construídas e outras já terminadas.

Portugal era o país do oeste europeu menos descoberto», enumera Chitra. Compraram uma pequena casa em Lagos ainda sem ter um projecto definido do que iriam fazer no Algarve. Foi na Moradia das Estrelas que viveram nos sete anos seguintes, onde começaram a sua família (hoje têm quatro filhos) e o seu negócio. «Decidimos que queríamos construir a nossa família em Portugal até porque a sociedade portuguesa está muito centrada nos valores familiares.» Foi-lhes apresentada uma área em Sagres que estava à venda há dez anos. Era de uma empresa de construção suíça. «Fomos à Suíça dizer que não tínhamos como comprar no momento, mas que tínhamos um business plan para um período de sete anos em que teríamos o cash flow para pagar o terreno. Fizemos um contrato de promessa de compra e venda para cada lote e passo a passo fizemos crescer o projecto. Sabíamos quanto tínhamos de facturar a cada ano.» É aqui que hoje vive o Martinhal Sagres Beach Family Resort Hotel. «Quando falávamos com pessoas de Lisboa diziam-nos que era frio e ventoso em Sagres. Mas o que nós víamos era uma realidade diferente porque vínhamos de Londres.

Para nós, o sítio era fantástico e sentíamos uma energia especial. Para nós, era a parte menos descoberta da Europa.»Roman lembra que tinham de criar valor acrescentado naquela área para todo o ano e não para apenas um mês no Verão. E conseguiram-no. Depois de muito sangue, suor e lágrimas, hoje a área tem visibilidade internacional, emprego para as famílias da região e clientes para os restaurantes locais. Mas, antes de chegar o sucesso, houve também que pensar no posicionamento do espaço. «Sem golfe ou actividades à volta. Percebemos que tínhamos de nos focar na família», recorda o CEO. E explica: «Os nossos pais tiveram-nos com 21 anos e até crescermos não tinham dinheiro para viajarmos.

Os pais de hoje são diferentes. Têm filhos aos 31 ou 32. Quando começam a ter filhos já têm um certo nível de vida, têm dinheiro de parte e estão habituados a viajar com os seus parceiros. E estão ambos a trabalhar, portanto as férias são um tempo em que querem ligar-se como casal e com os filhos. Precisam de tempo de qualidade juntos.» Algo que o casal veio a perceber ainda melhor ao ter os seus próprios filhos. «É um nicho em que procuramos diferenciar-nos. É isso que o Martinhal é: somos os melhores a olhar por este tipo de famílias. Para eles, somos sete estrelas porque entregamos exactamente o que os pais querem.» O Martinhal foi desenvolvendo a ideia e cada vez mais respondendo ao seu target, no desenho de produtos e na introdução de melhorias. E, claro, na estratégia de marketing e de comunicação. Assim que provaram que apesar da zona ventosa conseguiam ter receitas e lucros, conseguiram expandir a marca. «Precisávamos de escala, ou seja, de mais quartos para vender. Sentimos que podíamos levar a marca de nicho a localizações especiais.

Era também uma oportunidade que nós dávamos aos nossos funcionários para serem promovidos e se deslocarem», explana a CMO. A expansão começou, em Março de 2015, na Quinta do Lago que é procurada sobretudo por britânicos, irlandeses e portugueses. A paixão por Lisboa era também grande, mas queriam manter–se com o conceito de luxury families, portanto andaram a ver as oportunidades existentes. Viriam a abrir em 2016, os espaços de Cascais (Março) e do Chiado (Dezembro). «Estamos a construir uma marca – Martinhal – que significa sempre isso: Family», reforça Chitra Stern. 280 milhões de euros de investimento depois (o montante investido até agora com financiamentos bancários e com vendas efectuadas), a ambição do casal Stern não se fica por aqui e o Porto e o Alentejo estão a ser estudados. «Ainda não nos foram apresentadas as oportunidades certas para a marca», garantem.

Também na área da Elegant Real Estate poderá haver novidades. «Não estamos interessados em desenvolver blocos de apartamentos. Com a marca Elegant pretendemos oferecer algo excitante. Serão projectos imobiliários que tenham um ângulo residencial ou de escritórios», remata acrescentando que estão a mover- -se de algo que era apenas o Martinhal Hotel para algo que é o desenvolvimento comercial de imobiliário.

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