Marketing digital para organizações sem fins lucrativos

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati Este texto não é um texto técnico, para isso devem consultar técnicos especializados, trata-se afinal de uma reflexão sobre o que organizações de re

Executive Digest

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

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Este texto não é um texto técnico, para isso devem consultar técnicos especializados, trata-se afinal de uma reflexão sobre o que organizações de reconhecido valor podem atrair a atenção da comunidade e dos cidadãos num mundo de excesso de informação.
Algo que estou a identificar como presidente duma destas instituições, a Fundação Marquês de Pombal.
Sem dúvida um dos maiores desafios destas organizações é o seu financiamento. Vivem de patrocínios, beneméritos, associados, poucos fundos públicos existentes e “alguns carolas” com sentido de responsabilidade social. Mas para cumprir a sua missão de forma sustentável e para que sejam financiadas, têm de ser visíveis e conquistar fãs, admiradores que se identifiquem com a missão das mesmas. E fazê-lo de forma barata, pois os recursos são escassos. Uma das ferramentas eficientes e baratas que existem, assim como em rápido crescimento, é a utilização do marketing digital como estratégia para se tornarem conhecidas e notáveis, assim como converter desconhecidos em comprometidos com a organização e missão.
Sendo assim, o Professor David Rogers da “Columbia business school”, resumiu em 5 passos a hierarquia dos comportamentos digitais que se podem aplicar a este tipo de instituições:

 

– O acesso que deve ser rápido, fácil e acessível;

– O empenho e interesse, ou seja a consulta digital deve ser interessante e relevante para quem acede;

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– A customização, ou seja o site ou outra plataforma deve ser adaptado (ou adaptável) ás necessidades de quem acede;

– A conexão, ou seja permitir que os conteúdos sejam parte das conversas de quem acede. Portanto relevantes e algo que seja útil no dia-a-dia;

– Finalmente a colaboração e cooperação de ambas as partes, pois os acessos ajudam a melhorar e construir melhores plataformas e melhores organizações.

 

Mas talvez o maior desafio seja manter um equilíbrio entre modernismo e atualidade e o formalismo, seriedade e notoriedade necessárias a estas organizações. E o desafio tem inúmeros objectivos, desde a notoriedade, ao financiamento, ao voluntariado até ao envolvimento com os valores e as causas nobres e necessidade de promoção “boca a boca”.

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A estratégia digital destas organizações tem de estar muito bem definida para atrair os cidadãos mas não apenas atrair, mas criar adeptos e empenho nas causas, assim como a “replicação” de conteúdos noutras plataformas digitais. Tem de “comunicar” eficazmente com o Google e outras plataformas de busca. Por isso mesmo é fundamental a segmentação correcta do target que quer atingir: tem de ser o mesmo público que partilha dos mesmos valores e causas da organização sem fins lucrativos. Até porque muitas vezes não vendem produtos ou serviços (salvo merchandising e angariação de donativos), mas paixão pela causa que defendem agregando valor acrescentado à marca da organização. Este marketing social permite criar relacionamento com o cidadão ou outras organizações, disseminando valores e atitudes, estimulando comportamentos. Desde efetuar uma doação, participar como voluntário ou apenas integrar o conjunto de aficionados de uma determinada causa, tornando meros cidadãos desinteressados em embaixadores de causas, valores, mas também projetos com uma dimensão e responsabilidade social.

Portanto, o “roadmap” é simples para ter sucesso: target, acesso, conhecimento, confiança, identificação, envolvimento, paixão e contributo. 

A correcta definição do “target” é um elemento fundamental da estratégia digital da organização. Sejam pessoas, sejam outras organizações que permitam o aumento da reputação, mas também os beneméritos que possam contribuir para os projectos da organização. Mas para isso necessitam de se identificar com a causa e propósito. Por exemplo, em Espanha a liga nacional contra o cancro utiliza uma imagem de uma mulher que venceu o cancro de mama. Um dos cancros mais comuns, uma mensagem simples e alguém com quem nos podemos identificar ou conhecer. A mensagem é positiva, “o cancro foi vencido”, porque houve investimento na I&D, portanto cada um pode apoiar e ajudar as pessoas a ultrapassar este pesadelo com 1,20 euros para apoiar essa investigação e tratamento. Ou seja, um target bem definido, com uma mensagem simples e positiva que confirma que com pouco, podemos fazer a diferença! Queremos fazer parte de equipas vencedoras e histórias de sucesso e contribuir para produzir resultados reais. O “storytelling” é uma palavra que se fala muito hoje em dia, e não é para menos. Contar histórias é uma das ferramentas mais persuasivas e eficazes que o ser humano tem para comunicar e enviar mensagens.

Por isso o reconhecimento social é fundamental, como prémios e reconhecimentos por instituições de reconhecida idoneidade.

O acesso como referido antes, tem de ser simples e multiplataforma. Um elemento fundamental é o “website” da organização. Dever ser claro na mensagem, navegação em “3 cliques” (ou seja com 3 cliques consegue aceder a todos os conteúdos pretendidos), com uma identidade da organização que transmita os valores da organização em fatos e eventos (não apenas em intenções) e que contenha toda a informação necessária para criar confiança. Deve também estar ligado às redes sociais (e vice versa) de forma a permitir que o site esteja atualizado e “sempre em movimento”. Para além disso, deve ser claro e acessível, nomeadamente na forma como os recursos financeiros estão a ser dedicados, pois a seriedade e a reputação é um elemento fundamental de qualquer marca. 

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No marketing de conteúdos, os que forem criados (sejam textos, imagens ou vídeos) não têm de ser usados apenas uma vez ou só em uma plataforma. Pode utilizar o o mesmo tipo de conteúdo, de forma diferente, em vários canais. E já agora crie um repositório de imagens, tão relevantes para algumas plataformas como o Instagram, Facebook, Pinterest e YouTube. Alimenta a plataforma de conteúdos e permite a partilha fácil.
O mais irritante é encontrar a mensagem “site em construção” por um período longo, pois cria desconfiança em relação à organização. O site deve transmitir a “história” da organização, o seu passado, presente e futuro. Embora relativamente imutável, deve ser atualizado permanentemente através do feed de “notícias”, ligação aos conteúdos publicados nas redes sociais e atualização normal do mesmo. Mas repito, criar marketing de conteúdos, que é a arte de comunicar com o nosso target sem vender. São conteúdos destinados a ser úteis para o visitante, e não de caráter comercial. Os visitantes devem sentir a excitação e satisfação de fazer parte de algo maior que eles. 

Finalmente, medir os resultados e a eficiência das estratégias de Marketing Digital.

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